Bia Saltarelli, Blog

Imperfeita

É que ele não entende o alto preço que se paga quando se é tão intensa e perturbadora. Ele não vê que, quando eu me defendo tanto, eu só não quero me entregar demais. Eu, que na verdade não sou mais do que ingênua. Eu, que por vezes pareço tão cética, mas ainda sonho em amar alguém pra vida inteira. Mas ele, que me diz que sou a mulher perfeita, nem desconfia que só vivo mesmo pelos erros e imperfeições. E que a única mulher que eu ainda busco ser é a mulher dele. Não quero ser idolatrada ou idealizada. Tão distante de mim querer ocupar um santuário ou um pedestal. O único lugar que eu desejo – e necessito – estar é nos braços dele.

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Bia Saltarelli, Blog

Descompasso

O nosso desejo é pura chama acesa. Você Miller e eu Anais. Você filosofia, eu poesia. Eu sentimento, você pensamento. Você reflexão, eu sensação. Você me deixa mas eu te preciso. Daquele jeito, urgente e violento. E quando quero ir embora você me pede pra ficar, pra me acalmar. Você ponderado e eu descompassada. Eu, faminta desse amor e você sedento de desejo.

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Bia Saltarelli, Blog

Grito

Eu queria. Uma palavra, um texto. Um soneto de amor, uma alegoria. Mas não sou poeta. Não sei de rimas, nem de métricas. Eu só escrevo pelo amor ou pelo arrebatamento da dor. Essas palavras que me surgem eu não sei bem de onde vem. Talvez do coração. Só sei que elas me atravessam como enxurrada, incrustadas num violento fluxo sanguíneo. Como se todo meu corpo passasse a ser possuído e a pele fosse cortada pela força da letra que vem à superfície. Porque escrevendo eu me confesso abertamente incompatível a eles. A verdade é que não sei o que escrevo. Não é crônica, nem poema. Acho que nada mais é do que um grito.

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Bia Saltarelli, Blog

Faz de conta

Eu, que vivo por sentimentos da ordem do inefável apenas existo como estrangeira nesse mundo. Nesse mundo de ilusão. De fantasias e de faz de conta. Num mundo onde eles se dizem felizes mas tomam cada vez mais Rivotril.  Num mundo de olhos secos e corações encharcados. Num mundo onde se tem obrigação de parecer bem mas só vive mesmo tentando disfarçar as angústias da alma. Num mundo que condena sentimentos verdadeiros e onde qualquer intensidade é chamada loucura. Num mundo que diz venerar Deus mas põe a fé em questão ao menor sinal de obstáculo. Num mundo onde se diz amar, mas mal sabe o que é amor.

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