Bia Saltarelli, Blog

Sem ar

É que os olhos dele, quando me olham, são como se me despissem, como se arrancassem de mim qualquer proteção. Como se, apenas com o olhar, ele rasgasse minha roupa e as minhas defesas. E, de repente, ele me toma como refém. Sequestra os meus sentimentos. Não sou dona de mim. Não me controlo. Porque meu desejo agora é dele e meu corpo só faz responder aos estímulos. Porque eu o quis desde o primeiro momento. Mas eu também não queria. Eu evitei. Evitei porque sabia que não podia suportar. Porque meu corpo sossega colado no dele. Porque os meus lábios abrem-se junto aos dele. Porque não o quero, mas necessito. Preciso pra não sufocar. Porque longe dele o ar fica rarefeito e perto dele eu fico sem ar.

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Bia Saltarelli, Blog

Mais

Entra noite, sai noite. Final de semana. Aquele porre de jazz, livros marcados em cores neon, páginas rabiscadas e tarja preta. É um não sei de onde e não sei porque. Busco respostas e encontro mais perguntas. É ele, que invade meus pensamentos, mas nem se lembra mais de mim. Sou eu, que busco mais. É insatisfação, vontade de estar em outro lugar. É satisfação insatisfeita. Quase passa por rebeldia pra quem não entende, mas a verdade é que tenta se adequar por ser puramente inconformada. É amor pela vida. É amor pelas pessoas. Mas também é acreditar no que vai além. É ser inconformada apenas por querer ser melhor. Mais verdade. Mais amor, mais vida.

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Bia Saltarelli, Blog

Xeque-Mate

Ele vai embora quando todos os outros me pedem para ficar. Ele me deixa sozinha no momento que eu mais o desejo. Ele joga comigo de um jeito que sempre perco. Usa e abusa. Táticas, estratégias, armadilhas. Logo eu, que me acostumei a ganhar,  agora só preciso mesmo de um empate. Porque estar com ele é como um vício. Porque nossos corpos se encaixam como peças de dominó. É soma. É ser além. É ser mais do que se é. E assim eu aposto todas as minhas fichas nesse jogo sem pé nem cabeça. Esse nosso jogo, onde as peças se invertem e o peão dá xeque-mate na rainha. Sem pedir nada em troca. Sem hesitar, sem pestanejar. Essa rainha que não se importa mais com seu reino e que agora tem apenas uma certeza: não pode mais resistir.

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Bia Saltarelli, Blog

Vulnerável

Quando eu percebo que não consigo escrever sobre ele. Porque o que sinto por ele vai além. Além das palavras, além do que eles chamam de amor, além de mim. Além de sentimentos mesquinhos. Além de desejos impetuosos e passageiros. Porque nessa vida tudo mudaria se os olhos dele me desejassem. Se o corpo dele me desejasse. Se ele me quisesse. Se ele apenas me dissesse sim. Assim como eu o desejo. Inteiro e urgente. Assim como eu o quero. Com toda minha fraqueza e vulnerabilidade. Porque enquanto os outros querem a nudez do corpo, apenas ele me faz sentir essa nudez da alma. Totalmente entregue. Entregue ao amor. Entregue ao desejo. Entregue a nós.

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