Status: De volta a vida real, ou, DPSP (depressão pós São Paulo).

Status: De volta a vida real, ou, DPSP (depressão pós São Paulo).

“These streets will make you feel brand new/Big lights will inspire you…”
(Empire State of mind)

2011 não foi um ano dos mais fáceis para mim. Aconteceram várias coisas boas, algumas até inesperadas, e por isso mesmo, ainda melhores. Teve a viagem para Barcelona, o casamento de amigos muito queridos, a cirurgia que eu queria tanto fazer e deu tudo certo, a amiga que tinha mudado de cidade mas voltou mais rápido do que o esperado, teve a vida me dando sinais e mostrando o que eu realmente queria e tinha que fazer e várias outras coisinhas. Mas, mesmo com tudo isso, e, acredite, sou extremamente grata por tudo, não foi um ano tão tranquilo assim.

Foi um ano de crescimento e crescer, às vezes, é mais difícil do que parece. Com tudo, surgiram umas férias inesperadas e não planejadas para janeiro. 30 dias de férias. E junto com as férias, viria o meu aniversário e aí eu decidi ir para São Paulo. E melhor, as amigas animaram de ir também, passar o final de semana comigo.

Eu sei que todo mundo aqui já deve estar cansado de me ouvir falar sobre São Paulo mas é inevitável porque a gente tem que falar a verdade e falar sobre o que a gente sente. E quando eu vou para São Paulo parece que tudo muda. A cidade me inspira e me traz uma sensação que eu não sei explicar direito porque tem coisas que a gente não explica, a gente sente. Mas é uma sensação de identificação muito diferente. Dá para ver como meu astral fica só de ver minha carinha de felicidade nas fotos.

Às vezes alguém me pergunta porque eu gosto tanto da cidade e eu simplesmente não sei explicar. Gosto do astral, do clima, do jeito sempre apressado das pessoas, de ter sempre gente na rua, de andar à toa sozinha. E acho a Avenida Paulista um dos lugares mais lindos do mundo. E mais, me sinto numa cena do meu próprio filme andando pela cidade, de bobeira, com direito até a trilha sonora (Ipod serve pra que, né?)

E a viagem dessa vez foi ainda melhor, porque a companhia das amigas deixou tudo ainda mais especial. Porque tem amiga de conversa séria, amiga de balada, amiga colega e tem as amigas de todas as horas, que cresceram com você e sabem de quase tudo da sua vida e ainda aceitam todas as suas chatices e vocês podem falar as bobagens que quiserem. Ou melhor, podem rir porque alguém (Oi?!) quase caiu na esteira na hora de pegar a mala, ou porque outra dormiu de boca aberta na cafeteria ou porque fomos tomar café e ficou todo mundo mexendo no celular, ou porque andamos dois quarteirões enormes na avenida para o sentido contrário ou ainda porque você passou o almoço todo tensa porque o sinal da sua internet não funcionava.

A viagem foi deliciosa mas voltar dói. Porque eu adoro BH, minha casa, meu quarto, minhas coisas mas queria morar em São Paulo. E, toda vez que eu volto de lá, só consigo pensar em voltar para lá. De vez, voltar para ficar.

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Algumas pessoas me perguntaram dicas de SP. Eu já dei algumas dicas nesse post: Guia SP.

Agora mais algumas dicas:

O melhor bolo de chocolate do mundo – É uma confeitaria deliciosa que tem várias unidades na cidade (eu fui na do Jardins!) e realmente tem um bolo de chocolate delicioso. Quase tão perfeito quanto a torta da Fany, aqui de BH. Vale a pena provar!

Para sair à noite: Barzinhos na Vila Madalena. Eu não sei se vocês sabem mas não sou muito fã da night. Gosto mais dos programinhas lights mas os barzinhos da Vila são ótimos! Na rua Aspicuelta tem vários barzinhos. Algumas opções são: Salve Jorge, São Bento, A Praça e São Cristovão.

Feirinha do Center 3, aos domingos: A feirinha tem o mesmo estilo da Benedito Calixto no entanto possui ainda mais “lojas”. Acontece aos domingos, no shopping Center 3, na Av. Paulista.

27?

27?

“Ooh, life is juicy, juicy and you see/ I gotta have my bite…”
(Don´t rain on my parade – Barbra Streisand)

Lembro que quando eu era criança, em todas as brincadeiras que tinha que dizer a idade que queria casar, eu escolhia o número 27.Por que 27? Sinceramente não sei. Para mim os 27 estavam muito longe. Ou talvez eu pensasse que 27 era o meio termo, eram mais que 25 mas ainda não eram os 30. Acontece que os anos passaram e os 27 finalmente chegaram e eu não estou nem perto de me casar. E, sinceramente, esse ainda é o menor dos meus dilemas. Isso porque eu alimento a doce ilusão de que um dia ainda vou achar um cara louco o bastante ou melhor, com bastante personalidade, para entender (e aceitar!) todas as minhas esquisitices.

Mas enfim, acho que já comentei em algum lugar desse blog que para mim o ano só começa mesmo depois do meu aniversário. Sabe aquele sentimento meio esquisito de dezembro? Pois é, pra mim ele dura até hoje, dia 19 de janeiro, quando eu realmente começo mais um ano de vida.

Outra coisa também que eu não sei se já comentei é que eu adoro fazer aniversáro. Sou do tipo empolgada, que faz até contagem regressiva. Não ligo muito para outras datas comemorativas, mas aniversário para mim é diferente. É o SEU (no caso o MEU) dia. Para mim tudo tem que ser especial. Desde o tal look do dia que é sempre um pouco mais caprichado do que o usual, passando pelo almoço e todas as outras coisinhas (quando o trabalho permite) até chegar a noite, que é normalmente quando eu comemoro com as pessoas mais queridas.

No entanto, este ano a situação está um pouco diferente. Apesar de continuar animada e ter uma programação especial – estou de férias em janeiro pela primeira vez em 6 anos e resolvi passar o aniversário em SP (cidade amada!), sozinha. Bom, não tão sozinha já que as amigas chegam amanhã à noite para comemorar comigo – o sentimento é diferente. Existe uma angústia bem próxima da empolgação. Saudável até certo ponto, é verdade, já que é “ela”  que não me deixa parar e faz as coisas andarem para frente.

Mas a questão é maior que essa. Se, por um lado eu tenho mais certezas sobre o que desejo na vida (e, como dizem, estou no caminho certo), por outro eu ainda não cheguei lá. Isso me deixa um pouco confusa. E, como eu já disse, tenho certas dificuldades em esperar. Preciso aprender a lidar com o tempo, a deixar o tempo ao meu lado e não contra mim.

Sabe o que é? Existe em mim um espírito inconformado, uma paixão enorme e uma vontade gigante de realizar e fazer as coisas acontecerem. No entanto, sabe aquela sensação de estar “gritando” mas ninguém te ouve? Às vezes é assim que eu me sinto, tentando falar: “Oi, mundo! Eu estou aqui!!!!”

Acredito que essa sensação não é só minha, mas percebo que eu costumo sentir as coisas com uma intensidade maior. Sempre fui assim, desde criança, quando eu ainda fazia as tais brincadeiras nas quais tinha que escolher uma idade para casar. E não estou dizendo que isso é vantagem ou desvantagem, é apenas assim, é desse jeito que eu sou. E isso é uma das melhores coisas que os 27 me ensinaram: a me aceitar mais e ser um pouquinho mais tolerante comigo mesma.

Mas o principal disso tudo é que os 27 realmente chegaram e, pelo visto, com força total. Não dá para voltar atrás (e acho que nem voltaria!), porque a vida só vai para frente. Lá vou eu, para o alto e avante – como diriam os Superamigos! – trilhar o meu caminho, porque na verdade isso é que importa. Ou, como diria o poeta: “Navegar é preciso, viver não é preciso.”

Sobre o caso BBB.

Sobre o caso BBB.

Eu não ia falar sobre o assunto, mas com tantas discussões eu resolvi deixar a minha opinião também. Para falar a verdade nunca gostei do BBB. Juro que eu já tentei assistir o programa e não consegui. Sério. Como se interessar por nada? Porque pra mim é isso que o programa é. Explico: quando você assiste um reality show tipo Ídolos ou Aprendiz existe algo por trás. Seja a música ou objetivos profissionais, sempre existe um motivo para aquelas pessoas estarem ali. E no BBB, alguém me explica qual a lógica? Sinceramente, ficar parada, perdendo o meu tempo (que já não é muito) vigiando a vida alheia não dá para mim.

Mas enfim, isso é outra discussão e eu não sou um desses tipos pseudointelectuais que condena o programa e coisa e tal. Acho que cada um assiste o que tem vontade. Eu simplesmente não gosto. Ponto.

No entanto não dá para comentar sobre o caso do suposto/talvez estupro ocorrido no programa. Seja o que for que tenha ocorrido, ou não ocorrido,  de qualquer jeito o caso é absurdo.  Por que? Se foi estupro mesmo o cara não tinha que ser expulso do programa, tinha que ser PRESO. E mais, como uma equipe de televisão presencia um abuso sexual (ou uma suspeita) filma e não faz nada? Cúmplices? Onde entra a responsabilidade da rede Globo nessa hora?

Aí vocês me dizem: mas Bia, e se não foi estupro? Se não foi estupro, foi jogada de marketing da Globo, querendo criar polêmica e ver todo mundo comentando sobre o programa (sabem a história falem mal, mas falem de mim, então…conseguiram!) é quase pior do que o estupro propriamente dito. Gente! A que ponto chegamos? E, se existe emissora para exibir isso, existe gente para “alimentar”.

Agora,  pior de tudo foi descobrir (nesse texto da Nina Lemos) que existem bonecos do programa sendo vendidos em lojas infantis. Por favor, me digam que isso é mentira. Sério que existem mães que deixam o filho assitir ao programa? Que tipo de valores essa criança está absorvendo?

Bom, mas se por um lado a “coisa toda” me deixa até mesmo pessimista, pensando onde é que nós vamos parar, por outro lado estou feliz de ver as discussões a respeito do programa. Ver tanta gente achando o caso absurdo me faz pensar que ainda resta uma pontinha de esperança. E mais, parece que a justiça não fechou os olhos só porque é a rede Globo. Como eu disse sobre o caso cqc, isto significa que ainda não “ligamos o foda-se” totalmente. Pena que a memória do brasileiro é tão curta e no final tudo vira piada.

Desmitificando: uma reflexão sobre blogs, moda e itgirls.

Desmitificando: uma reflexão sobre blogs, moda e itgirls.

“Milhões de garotas se matariam por esse trabalho…” O diabo veste Prada

Eu juro que pensei um milhão de vezes antes de decidir escrever este post (ele tá no meu rascunho há mais de 3 meses!). Não quero aqui fazer nenhuma crítica (no sentido negativo da palavra), nem julgar ninguém. Até porque acredito que cada um sabe o que é melhor para si. Outra coisa, não vou citar nomes porque o objetivo aqui é falar do assunto e não de ninguém, ok?

Para começo de conversa preciso dizer que eu também adoro moda, maquiagem e outras futilidades e leio alguns blogs já há bastante tempo (e, pelo menos por enquanto, não pretendo deixar de ler), talvez uns 3 ou 4 anos. Sei que a evolução é inevitável e grande parte desse fenômeno é consequência da cultura e da sociedade em que vivemos. Mas, mesmo com tudo isso, ultimamente algumas coisas tem me chamado a atenção e acho que é legal “conversarmos” sobre o assunto. Prontas?

Elas são as novas it girls. Atualmente é impossível falar de moda e beleza no Brasil sem citar as blogueiras. De garotas “normais” elas passaram a ser o centro das atenções. Atraem diversos patrocinadores e todas as marcas querem um espaço no blog delas. Mais do que garotas influentes, elas são verdadeiras máquinas de vendas. Tudo o que elas falam é levado muito a sério por suas leitoras. Se antes eram apenas garotas falando das sua vidas reais, hoje elas são referências de estilo e tem o poder de criar o desejo de consumo.

Antes de tudo, vamos parar para pensar juntas. Por que os primeiros blogs começaram a fazer sucesso? Aliás, primeiro vamos separar: existem os blogs que tem uma “história”, na qual uma “menina normal” resolveu começar a postar suas coisas pessoais, sua vida e nisso os assuntos de moda e beleza surgiram naturalmente; por outro lado existem os blogs que começaram a ver a oportunidade nos outros e pegaram carona, mas acabaram fazendo muito sucesso por serem meninas muito ricas e só.

Mas então, falando das verdadeiras pioneiras: começaram seus blogs despretensiosamente e nunca imaginaram que iriam ganhar dinheiro assim. No entanto, foram conquistando naturalmente um público que se identificava com aquilo uma vez que, ao invés de “personalidades famosas”, eram pessoas normais, falando de igual para igual, como se fosse uma conversa entre amigas. As postagens foram evoluindo e os assuntos de moda e beleza começaram a despontar. Apareceram então os looks do dia, que pareciam tornar a moda mais acessível, mais próxima. Aos poucos, foram se tornando formadoras de opinião, mais ou menos como a história da garota mais popular do colégio.  Algumas marcas começaram a perceber a nova força que estava se formando com os blogs e começaram a investir nessa nova forma de comunicação, que estava bem mais próxima de seu público alvo e de simples espaços virtuais, as blogueiras passaram a ter, com a própria imagem, um negócio e, mais que isso, uma marca lucrativa.

Agora, de onde vem essa força toda que os blogs adquiriram? Por que se tornaram tão influentes, a ponto de criar um desejo incessante de consumo? Simples: elas criam um desejo de ser igual. E, por terem começado como “normais” fazem esse desejo ser alcançavel, ou seja, são o equilíbrio perfeito entre realismo e idealização. Não é à toa a proliferação de tantos outros blogs (produção em série?).

No entanto, se por um lado elas são praticamente “endeusadas”, por outro recebem críticas, às vezes até muito agressivas – o que eu acho um absurdo (mas isso é  outro assunto) – e são acusadas de terem “se vendido”, de publicidade escondida (como no caso dos looks do dia, no qual ganham roupas e são pagas para usá-las) e de abusarem da própria imagem.

Agora, fala sério, que atire a primeira pedra quem iria recusar um emprego desses. Ganham bem, fazem coisas divertidas, ganham viagens, presentes das marcas, são famosas por serem elas mesmas. Realmente parece um mundo dos sonhos, não é mesmo? Ops! Acho que já vi essa “cena antes”! Vocês também conseguem perceber as semelhanças com o filme O diabo veste Prada? No filme, Andy era uma garota normal, buscando uma posição no mercado de trabalho e acaba caindo de paraquedas na revista de moda mais influente. O que acontece? A garota, que antes não ligava para a moda, acaba sendo seduzida por aquele mundo de glamour. São roupas maravilhosas, muitos “mimos”, viagens internacionais, contatos com as pessoas mais influentes, tudo maravilhoso até o dia que ela percebe que tudo aquilo não passa de uma ilusão e que, mesmo sem perceber, estava deixando de lado vários valores pessoais e aí resolve voltar para sua vida normal.

E é mais ou menos isso que acontece com os blogs: eles podem se tornar instrumentos que alimentam ilusões. Sabem por que ilusão? Se as blogueiras eram o meio de comunicação, hoje são ao mesmo tempo o meio e o produto. São a verdadeira personificação das marcas. No entanto, engana-se quem pensa que elas não fazem parte desse ciclo. Ao mesmo tempo que produzem, também estão sendo produzidas. Não é mais o “EU REAL“, mas uma imagem “melhorada” delas mesmas. A tão comentada evolução de estilo é produto da estetização sofrida. Querem um exemplo? Repararam que várias delas emagreceram (mesmo as que já eram magras!) depois do “boom”? Será apenas coinciência ou existe algo a mais?

Como eu disse no início do texto, a intenção aqui não é ofender ninguém. Quero apenas propor uma reflexão. Não estou condenando os blogs de forma alguma (como eu já disse acompanho vários). Acho que  eles se tornaram um importante meio de comunicação e tem grande influência no “investimento” de moda e beleza no país. Algumas dessas blogueiras merecem todo mérito, são inteligentes, tem conteúdo e não estão aí por acaso. Mas, ao mesmo tempo, acho que, por terem se tornado tão profissionais e tão influentes, os blogs também tem que ter desenvolver um “código” de ética e responsabilidade. E quanto a nós, leitoras, proponho que continuemos a acompanhar nossas blogueiras favoritas. No entanto, com um pouquinho mais de consciência e análise do que estamos lendo e, principalmente, absorvendo.