Bia Saltarelli, Blog

Fora da curva

Se algumas vezes pareço por demais reservada é porque vivo em intensidade demasiada para o conformismo deles. Quando me aquieto é porque prefiro que não vejam que vivo, quase que constantemente, em um estado perturbado da alma, que dentro de mim existem emoções tão tortuosas e viscerais que causariam espanto se fossem reveladas. E que alguns chamariam loucura. E que apenas existo num fora de lugar, ou num lugar fora, um lugar fora do real, em inquietação permanente. Em algum ponto fora da curva onde não mais se explica, se sente.

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Insônia II

Porque durante o dia eu posso até ser parecida com eles, mas é durante a noite que minha alma sabe viver. Como bicho que sai à caça para sobrevivência. Nessas noites de insônia nas quais todos os desejos e pensamentos parecem tomar forma. Nas noites de solidão e silêncio quando não caibo mais em mim e pareço ser cuspida pra fora. Como lobisomem em noite de lua cheia. Eu me torno essencialmente mulher quando o sol se põe. Mais mulher, mais fêmea. Fêmea no cio tomada pelo instinto.

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Bia Saltarelli, Blog

Feroz

Ninguém sabe que eu choro. Choro baixinho antes de dormir. E que sou aquela que tem os olhos secos e o coração cheio de lágrimas. E que só não choro mais para não estragar a maquiagem. E que minhas noites de insônia vem por tanta vontade de me sentir viva. Mas eles não entendem e nem mesmo se importam. Só dizem pra me conformar, pra aceitar e viver uma vida normal. Pra colocar os pés no chão e dar um jeito de ganhar dinheiro. Mas minha alma não deixa. É temperamento que ninguém suporta. É personalidade que não sabe conviver com uma existência tão rasa. É amor e emoção que não cabem dentro do peito. Que pedem mais, que desejam mais. E no desejar tanto só querem o mais simples. É que no fundo sou apenas mulher. Talvez histérica como diria Freud. Talvez feroz como bicho encurralado.  
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Bia Saltarelli, Blog

Escrever II

Escrever é fazer amor. Fazer amor com as letras e se envolver com as frases. Fazer amor com a porta entreaberta e as luzes acesas. Escrever não cabe em luzes apagadas e nem mesmo a meia luz. É estar mais vulnerável do que quando se está nua. Escrever é tirar a roupa da alma. É se revelar mulher e se entregar às palavras. É assumir, ao mesmo tempo, meu pudor e minha falta de censura. É se confessar absoluta e sem vergonha. É me despir inteira e me assumir em fragmentos.

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