Bia Saltarelli, Blog

Farsa

Eu me sinto como ré diante do juri popular. E tenho uma vontade profunda de confessar meus crimes e me deixar ser condenada. Porque a verdade é que não passo de uma farsa. Eu, que busco tanto amor, reconheço que ainda não suporto tal sentimento por tanto tempo. Eu, que agora não me importo em ser condenada, só quero ser livre. Vivo nesse eterno paradoxo. Que me apontem o dedo, que me joguem na rua. Mas que não me prendam. E eu afirmo: sou mesmo errada. Sou uma farsa, uma desordenada. Só na desordem e no caos meus sentimentos existem. Porque o que sinto é da ordem do incompreensível, do intraduzível. E agora, sem saída, eu me calo e me entrego ao julgamento deles; mas não sem antes confessar nas entrelinhas: como vou me entregar se ainda é a mim que eu procuro?

Padrão
Bia Saltarelli, Blog

Apenas sonho

Eu não sei quando eu o perdi. Ou se em algum momento nos perdemos sem saber.
E tanto tempo longe, tanto tempo sem nos saber e agora ele chegou nos meus sonhos. Chegou do mesmo jeito como um dia entrou na minha vida. De fininho, como quem não quer nada e acabou ficando. E bagunçando tudo.
E sonhar com ele trouxe de volta aquele emaranhado de emoções para as quais ainda não encontrei explicação. Sentimentos que eu nem lembrava de um dia ter sentido. Apenas no sonho. Em outro tempo, talvez outra vida.  Talvez algo muito longe do real e mais próximo da ilusão.
Mas longe do sonho eu e ele é como ser imigrante ilegal. Como não ter casa, não ter dono. Como não saber de nada; nem de mim. Como quando as minhas emoções mal digeridas viram gastrite e o estômago lateja. Como quando eu percebo que as angústias que me matam são as mesmas que me fazem viva. É como ouvir Desafinado. Ou como no outro dia, quando eu fui ao cinema sozinha assistir Ponte Aérea e saí da sala com os olhos borrados. Como aquela vez que te encontrei na rua e você parecia ser só um estranho. Ou como quando o Chico canta: “e tantas águas rolaram e quantos homens me amaram bem mais e melhor que você.”

Padrão
Bia Saltarelli, Blog

Bia Saltarelli: além do blog

SnapInstaPinterestFanPage

Padrão
Bia Saltarelli, Blog

Contradição

Ele me curte. Me chama de linda. Diz que, no mundo, não existe mulher como eu. Vai embora.
Mas ele volta. Me chama de louca. De descabida. De largada.
Me sinto puramente mulher. Menina. Sem lugar. Sem dono porque nunca soube ser de ninguém mesmo. E também porque me querem, mas não são capazes de sustentar tanto querer. Tanto desejo. Tanta vontade. Tanto tesão.
E aí me vejo sozinha. Mais uma vez. E sozinha eu não os culpo. Porque sei que esse fardo é só meu.
Educada em colégio católico mas neta – com orgulho – de mulher de pulso firme e filha da mãe que conseguiu unir o amor mais puro ao caráter mais sólido.
Mulher de contradições mas mulher que se entrega. De corpo, alma, coração e tudo mais que vier. Tudo mais que ele quiser.

Padrão