RSS

Atrás da porta: Nem Marte, nem Vênus.

29 mar

Desde o dia que a Aline, entrevistada do mês, me enviou as respostas da entrevista, fiquei pensando em um trecho da fala dela:

“Falta homens e mulheres perceberem que têm muito mais em comum do que gostariam de admitir. As pessoas, antes de serem homens e mulheres, são…pessoas! A nossa condição de seres humanos limitados, falhos e mortais nos aproxima mais do que os nossos gêneros nos distanciam.”

Desde crianças aprendemos que homens e mulheres são diferentes. Aprendemos que homens são de Marte e mulheres são de Vênus, que homens vestem azul e mulheres vestem rosa. Aprendemos que homens são razão e mulheres emoção, que meninos brincam de carrinho e meninas brincam de casinha…

Tanto já foi dito sobre comportamentos distintos entre homens e mulheres que muitas vezes a gente acaba não reparando que as grandes diferenças entre homens e mulheres são produto da nossa cultura. Não percebemos que grande parte de características que aceitamos como naturalmente femininas ou masculinas não são fisiológicas nem anatômicas, mas foram socialmente construídas durante tantos anos  que acabaram enraizadas no nosso íntimo, fazendo com que a gente acredite que somos realmente opostos, o que acaba criando um certo tipo de disputa de relação.

Acontece que desde antes do nascimento já somos diferenciados por ser homens ou mulheres. E durante toda a vida aprendemos a ver o outro como oposto, como diferente e, dessa maneira, o papel social que desempenhamos é sempre definido em masculino ou feminino. A impressão que se tem é que masculino e feminino são como água e óleo. Mesmo quando colocados em contato eles não se misturam.

O que acontece com homens e mulheres é exatamente isso: ambos se relacionam mas continuam “empenhados” na diferenciação dos gêneros, em qual papel é do homem e qual é o da mulher. Por mais que estejam juntos, os padrões de comportamento são diferentes e predeterminados para cada um dos sexos o que acaba resultando em um excesso de “joguinhos” – do tipo: não vou fazer sexo no primeiro encontro porque sou mulher e pega mal – e estereótipos – ou você nunca ouviu a expressão: “homem é tudo igual mesmo”.

Enfim, o que eu quero dizer é que a realidade é que vivemos em uma cultura na qual as diferenças entre os gêneros ainda são predominantes. Mas como lidar melhor com isso? Até quando as diferenças entre homens e mulheres vão ser maiores do que nossa condição de seres humanos, de uma “espécie” só?

Que tal a gente não pensar nem em Marte nem em Vênus? Será que essa estrada tem que nos levar sempre para caminhos opostos? Será que homens e mulheres precisam ser sempre diferentes? Será que um dia não aprenderemos, de verdade, a ser simplesmente parceiros?

About these ads
 
5 Comentários

Publicado por em 29/03/2012 em Atrás da porta

 

Tags: , , , , ,

5 Respostas para “Atrás da porta: Nem Marte, nem Vênus.

  1. aline

    29/03/2012 at 9:46

    Ai, gente, que chique virar argumento de autoridade!!! Por essas e outras Simone de Beauvoir dizia que a gente não nasce mulher, torna-se mulher. Claro que homens e mulheres têm suas especificidades, mas não acho que o caminho seja a polarização. Sempre tive muito mais amigos do que amigas, e não me sinto uma total estranha no meio deles.

     
  2. Ma Amorim - Blog Tips and Trends

    29/03/2012 at 10:18

    Adoreiii…Precisamos nos reeducar quanto a esse pensamento da separação de generos!!
    beijos
    Ma Amorim – Blog Tips and Trends

    http://blogtipsandtrends.blogspot.com/

    @_TipsandTrends

     
  3. editoriafeminina

    29/03/2012 at 12:51

    Olha Bia, não deixo de concordar que há muita diferença construída “apenas” socialmente entre homens e mulheres…mas eu acredito que nós também não somos formados só de características fisiológicas e anatômicas.

    E no que diz respeito a nossa “alma”, acho que as diferenças são inegáveis. De modo geral, somos mais sensíveis sim, somos mais reflexivas e desejamos uma resposta afetiva que muitas vezes não preocupa os homens. Até podemos pensar que essa diferenciação independe do sexo, mas de modo geral, acho que depende sim.

    E eu que sempre detestei a sensação “mulherzinha”, tenho aprendido a vivenciar minhas forças e fragilidades com o meu companheiro.

    O que acho que existe e precisa terminar é uma noção de que há características melhores ou piores.

    Lígia

     
    • Bia Saltarelli

      29/03/2012 at 14:52

      Ligia,
      Então, acho que em relação à alma a gente tem mania de generalizar um pouco. Porque de modo geral realmente as mulheres são mais afetivas mesmo mas existem mulheres que são menos e homens que também tem esse lado sentimental bastante aflorado!
      Sem contar o fato de que em algumas culturas os papéis de homens e mulheres são “invertidos”, diferentemente da nossa cultura.
      Mas resumindo, o fato é que não dá pra mudar o mundo nem a cultura toda de uma sociedade né? Mas podemos pensar em como fazer para viver melhor dentro das nossas próprias diferenças né? =D

      PS: Adorei seu blog! :)

       
  4. editoriafeminina

    29/03/2012 at 15:45

    Com certeza, falo pensando de uma maneira geral mesmo, porque certamente nossa singularidade é que nos forma, né? E como você bem disse, o que importa é respeitarmos as diferenças e assumirmos nossas singularidades e fraquezas! Porque dá pra misturar, ah isso dá! :)

     

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.052 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: