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Atrás da porta: sobre o feminismo e o tal do lingerieday

27 jul

“As mulheres, durante muito tempo, não existiram por si próprias. Eram definidas pelo seu relacionamento com o homem.” (Regina Navarro)

Ontem foi o #lingerieday. Para quem ainda não conhece, trata-se de uma brincadeira via twitter (@biasaltarelli) cuja proposta é trocar a foto do avatar por uma foto de lingerie. Na minha opinião o lingerieday é realmente uma brincadeira.

No entanto, sempre existem aquelas pessoas que gostam de procurar cabelo em ovo e levam tudo a sério demais. Para a minha surpresa, a brincadeira foi muito criticada por alguns grupos de feministas.

Não estou dizendo que ninguém pode ser contra ao evento ou que todas as mulheres devem apoiar e postar fotos de lingerie. É lógico que se você olhar com um olhar simplista o evento pode parecer machista e colocar a mulher apenas como objeto de desejo e tal e toda aquela palhaçada que a gente já se cansou de escutar. Porém se existem tantos pontos de vista por que olhar apenas para o “pior”?

Por que existe liberdade maior do que colocar uma foto de lingerie no twitter e ninguém ter nada a ver com isso? Pensa bem, durante tanto tempo a mulher foi reprimida, não podia fazer nada, não podia se expor e agora tem esse direito à autonomia do próprio corpo. E mais, não é a obrigação de se expor, é escolha. Coloca a foto quem quer e pronto. Simples assim.

Olhando além, acho que tal brincadeira acaba reforçando algumas idéias do feminismo (inclusive da própria Marcha das Vadias: meu corpo minhas regras) quando você coloca da seguinte forma: Oi, sou mulher, faço o que quiser com meu corpo e hoje (e se me der na telha outro dia também) vou ficar de lingerie. Você pode fazer o que quiser; pode me achar linda, pode me achar gostosa ou não. Pode me achar feia e pode me achar gorda mas o corpo é meu. Você pode pensar o que quiser e falar o quiser mas só pode me tocar se eu quiser.

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3 Comentários

Publicado por em 27/07/2012 em Atrás da porta

 

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3 Respostas para “Atrás da porta: sobre o feminismo e o tal do lingerieday

  1. Cássia S.

    27/07/2012 at 0:36

    Acho que as mulheres podem sim fazer o que quiser com o próprio corpo, mas é preciso pensar sobre isso, aí a gente entra na questão da educação. Jogar uma imagem semi nua na Internet, seguindo um “bando” é alienação.

    Tudo bem que nem todas as mulheres fazem sem pensar, algumas racionalizam e decidem,,,,A maioria vai na onda, e nesse caso ela não está decidindo sobre seu corpo.

    Posso decidir expor meu corpo semi nua,independente de um “lingerieday”, que tal? Posso colocar minha imagem, na Internet, sempre que quiser com a minha lingerie preferida. Posso transgredir e decidir, mas é preciso pensar em causas e consequências. O lingerie day não é uma revolução feminista e nem da mulher. É totalmente machista (na minha opinião alguns homens decidiram que as mulheres deviam se mostrar e elas simplesmente aceitaram, sem causa!)

     
    • Bia Saltarelli

      27/07/2012 at 0:47

      Cassia,
      Concordo com várias coisas que você disse.
      Também acho que é preciso pensar sobre o assunto mas não acho que a imagem seminua na internet seja alienação. Acho que só vemos assim porque acostumamos a ver o corpo (principalmente o da mulher) como uma “coisa meio proibida”.
      Acho também que a maioria vai na onda e aí entram várias questões também como: o exibicionismo, a vontade de aparecer, a dependência do olhar do outro e principalmente o fato de que vivemos em uma sociedade na qual a própria mulher é muito machista…
      Nem de longe acho que o lingerieday é uma revolução feminista ou da mulher, na verdade acho que é realmente uma brincadeira com vários pontos de vista…

       
  2. aline

    27/07/2012 at 10:11

    Acho que as duas estão certas. O que eu sinto nas moças do Lingerie Day e tb nas que se despem profissionalmente para ensaios sensuais é a vontade de ser percebida, nem que seja por um momento, como um símbolo sexual. Isso pode ser consequência de uma cultura machista, que situa a mulher num lugar de dependência da aprovação do olhar masculino. Mas acho tb que existe essa faceta: meu corpo, minhas regras. Se eu tiver vontade de me despir no twitter, vou me despir no twitter pq eu posso. Nem pai, nem irmão, nem namorado vão me impedir, pq o corpo é meu. Como tudo na vida, tem efeitos para os dois lados. Ajuda a reforçar a concepção da mulher como mero objeto sexual? Sim, ajuda. Mas tb ajuda a mulher a quebrar tabus em relação ao seu próprio corpo e tb ajuda aos homens a perceberem que mulheres comuns tb têm libido, tb têm fantasias e que o erotismo tb é parte da vida delas, o que é importante para acabar com essa distinção que se faz entre “mulher para casar” (assexuadas) e “mulher para divertir” (sexuadas).

     

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