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Insônia II

Porque durante o dia eu posso até ser parecida com eles, mas é durante a noite que minha alma sabe viver. Como bicho que sai à caça para sobrevivência. Nessas noites de insônia nas quais todos os desejos e pensamentos parecem tomar forma. Nas noites de solidão e silêncio quando não caibo mais em mim e pareço ser cuspida pra fora. Como lobisomem em noite de lua cheia. Eu me torno essencialmente mulher quando o sol se põe. Mais mulher, mais fêmea. Fêmea no cio tomada pelo instinto.

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Bia Saltarelli, Blog

Feroz

Ninguém sabe que eu choro. Choro baixinho antes de dormir. E que sou aquela que tem os olhos secos e o coração cheio de lágrimas. E que só não choro mais para não estragar a maquiagem. E que minhas noites de insônia vem por tanta vontade de me sentir viva. Mas eles não entendem e nem mesmo se importam. Só dizem pra me conformar, pra aceitar e viver uma vida normal. Pra colocar os pés no chão e dar um jeito de ganhar dinheiro. Mas minha alma não deixa. É temperamento que ninguém suporta. É personalidade que não sabe conviver com uma existência tão rasa. É amor e emoção que não cabem dentro do peito. Que pedem mais, que desejam mais. E no desejar tanto só querem o mais simples. É que no fundo sou apenas mulher. Talvez histérica como diria Freud. Talvez feroz como bicho encurralado.  
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Bia Saltarelli, Blog

Escrever II

Escrever é fazer amor. Fazer amor com as letras e se envolver com as frases. Fazer amor com a porta entreaberta e as luzes acesas. Escrever não cabe em luzes apagadas e nem mesmo a meia luz. É estar mais vulnerável do que quando se está nua. Escrever é tirar a roupa da alma. É se revelar mulher e se entregar às palavras. É assumir, ao mesmo tempo, meu pudor e minha falta de censura. É se confessar absoluta e sem vergonha. É me despir inteira e me assumir em fragmentos.

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Bia Saltarelli, Blog

Ímpar

Ele me quer presa mas eu quero liberdade. Ele anda com os pés firmes na terra e eu só penso em voar. Ele quer calmaria e eu sou só desassossego. Ele quer mulher tom pastel e eu sou vermelho sangue. Ele quer aquela que pinta as unhas de Renda e eu prefiro Gabriela. Ele quer acertar e eu erro o tempo inteiro. Ele é conformado e eu insaciável. Ele quer viver na superfície e eu preciso me afogar. Ele quer formar um par mas descobri que sou ímpar.

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