Bia Saltarelli, Blog

Simplificando

Ele me chama de complicada mas adora criar caso. Parece que seu único vício é tentar me censurar. E se eu provoco é pra ele me olhar. Para se perturbar. É roupa, é cabelo, é jeito de dançar como se não houvesse amanhã. É aroma de baunilha. É lingerie nova. É tecido de seda que toca o corpo. Mas é só para ele. É me soltar um pouco além para parecer bem. É parecer gostosa para não me julgarem insegura. É me entregar inteira. Mas é tudo só para ele. Porque só o amor dele me alimenta. E só ele me faz querer mais. Porque eu sou sim, meio complicada. Mas com ele eu só quero simplificar.

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Bia Saltarelli, Blog

After

O relógio bate as 3 enquanto eu ainda tento me convencer de que tudo está em seu devido lugar. Tomo banho como se me lavar pudesse apagar também o que o coração sente. Enquanto a toalha percorre cada parte do corpo tenho alguma vontade de dormir para sempre. Deito e fecho os olhos. Aperto aquele tecido felpudo contra o corpo. Acordo e me vejo sozinha como se estar só no meio de uma multidão fizesse parte do meu destino. Como se meu corpo fosse quase sagrado para ser tocado. Como se meu coração ainda fosse muito frágil para ser desbravado.

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Bia Saltarelli, Blog

Fora da curva

Se algumas vezes pareço por demais reservada é porque vivo em intensidade demasiada para o conformismo deles. Quando me aquieto é porque prefiro que não vejam que vivo, quase que constantemente, em um estado perturbado da alma, que dentro de mim existem emoções tão tortuosas e viscerais que causariam espanto se fossem reveladas. E que alguns chamariam loucura. E que apenas existo num fora de lugar, ou num lugar fora, um lugar fora do real, em inquietação permanente. Em algum ponto fora da curva onde não mais se explica, se sente.

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Insônia II

Porque durante o dia eu posso até ser parecida com eles, mas é durante a noite que minha alma sabe viver. Como bicho que sai à caça para sobrevivência. Nessas noites de insônia nas quais todos os desejos e pensamentos parecem tomar forma. Nas noites de solidão e silêncio quando não caibo mais em mim e pareço ser cuspida pra fora. Como lobisomem em noite de lua cheia. Eu me torno essencialmente mulher quando o sol se põe. Mais mulher, mais fêmea. Fêmea no cio tomada pelo instinto.

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