Queria

Eu queria. Queria não pensar tanto, queria não pensar o tempo inteiro. Queria não ter lido tudo que eu li. Queria achar que as revistas Nova e Boa Forma tem alguma coisa útil para me ensinar. Queria achar que Sylvia Plath e outras desajustadas não sabiam tanto das coisas. Queria achar que o refrão da música Creep não diz tanto sobre mim. Queria ser menos. Queria ser menos inconformada. Menos apaixonada e menos angustiada. Queria acreditar menos no amor e desconfiar mais das pessoas. Queria ser menos crítica e ver menos nas entrelinhas. Queria não questionar tanto. Queria ser menos apaixonada pela arte e pelas ciências humanas. Queria mais. Mais matemática, ciência, escritório fechado e rotina. Mais acordar cedo e menos noites de insônia. Mais sossego e mais ignorância. Mais tom pastel e menos preto. Queria me sentir atraída por qualquer tipinho comum. Queria ser capaz de namorar só para não ficar sozinha. Queria sentir menos. Menos desejos. Queria amar menos, querer menos, comer menos e beber menos. Mas só consigo ser mais. Mais sangue correndo nas veias, mais coração palpitante, mais vermelho vivo, mais verdade, mais amor.
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