Farsa

Eu me sinto como ré diante do juri popular. E tenho uma vontade profunda de confessar meus crimes e me deixar ser condenada. Porque a verdade é que não passo de uma farsa. Eu, que busco tanto amor, reconheço que ainda não suporto tal sentimento por tanto tempo. Eu, que agora não me importo em ser condenada, só quero ser livre. Vivo nesse eterno paradoxo. Que me apontem o dedo, que me joguem na rua. Mas que não me prendam. E eu afirmo: sou mesmo errada. Sou uma farsa, uma desordenada. Só na desordem e no caos meus sentimentos existem. Porque o que sinto é da ordem do incompreensível, do intraduzível. E agora, sem saída, eu me calo e me entrego ao julgamento deles; mas não sem antes confessar nas entrelinhas: como vou me entregar se ainda é a mim que eu procuro?

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