Cacos

Madrugada e um certo desespero de não escrever mais. Livros espalhados, caneta no punho e caderno de rascunhos parecem não significar nada mais além de uma visão turva. Abro uma garrafa de vinho e forço o saca-rolhas como quem ainda detem um fio de esperança. Afinal, quem precisa de uma overdose de barbitúricos quando a angústia mata lenta e dolorosamente a alma de quem sente demais? A humanidade me sufoca. O mundo me engole. Do fast food aos amores instantâneos. Just in time. É só deletar, jogar fora e dar as costas. O tempo da delicadeza já se foi. Não tenho espaço. Não tenho socorro nem solução. Sou só. Inteira minha e ainda um pouco dele. Mulher aos pedaços. Cacos de amor dilacerado.

 

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