Eles

M um dia foi amor. Depois virou saudade, chegou a orgulho: “o teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer”. Hoje é poesia.
R sempre foi sexo. Instinto. Sexo e arte. Homem e mulher. Macho e fêmea. Como Henry e Anais: “meu corpo é testemunha do bem que ele me faz”.
B chegou em época errada. Tornou-se conforto. Carinho e até conselho. Foi ele quem me disse outro dia que coloco: “caco de vidro no muro para o amor desistir”
F eu até tentei. Mas nunca passou de mais um: “você se parece com todo mundo”.
J Talvez algo novo? – : “não deixe tanta vida ‘pra’ depois”. Talvez um novo verso, uma nova trilha.
Ressignifico amores. Me abro de novo, mas
ainda escondo alguns desejos no fundo do armário.
Tento “arrumar a casa”. Como se fossem algo qualquer que precisa ser guardado.
Organizado. Engavetado.
Me apropriei daquilo que M me trouxe. Não é mais dele, virou meu. Era a paixão dele, virou minha. E ele hoje é mais um verso. Só um rascunho.
E quase todos viraram lembranças. Como fotos numa velha caixa.
Mas ainda fazem parte dessa história.
Bagunço a vida. Viro o jogo.
Monto o tabuleiro. Dou as cartas.
Me preparo para uma nova partida.
Mas não tem truco. Zap.
Nem xeque mate.
A rainha virou plebeia: “and my heart got lost somewhere in the shuffle,
so I’m all alone playing solitaire”

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