Tempero

Domingo
Entardecer
Sozinha neste apartamento
Acordo de um sono agitado
O tempo é cruel
Da janela do 601
A cada segundo as cores se modificam no horizonte
A vida não dá trégua
O céu fica mais escuro
E meu peito sufoca de não saber
Respiração curta. Acelerada
Você ainda não sabe desse meu sentir em demasia
De calcinha de renda e camiseta de algodão
Me viro de lado – e não tenho mais seus braços
Me encolho como quem se esconde
Tento me proteger
Esquecer
Desse dia
Sem tempero
Sem desejo

A última noite

Aquele adeus da última noite;
a casa bagunçada;
fios de cabelo soltos pelo chão;
A última noite de amor;
os últimos beijos;
quando você puxava meus cabelos com certa violência e eu ainda me desmanchava em seus braços.

A cama desarrumada
o lençol amassado;
confesso que me falta coragem para trocar as fronhas;
meu quarto ainda tudo tem o cheiro do nosso suor;
o gosto e o ardor desse amor.

O gosto que era doce e ficou amargo;
a presença que virou falta;
a saudade que ficou maior que o desejo;
o amor que não aguentou.

Old feelings

Casa nova.
Passo a maior parte do tempo na sala. Entre o home office a cozinha.
Lembro de você com aquele jazz.
Old feelings.
Banho.
Calcinha de renda branca.
Nua.
Quarto.
Me deito no lençol novo.
Branco.
600 fios.

O carinho que você nunca me deu.
A certeza que não quero mais.
Como roupa no fundo do armário.
Movimento.
Sigo em frente.
Evoluo.
Ressignifico lembranças.
Ainda há um resto de sentir.