Veneno

Ficar longe é ser violentada a cada dia. Como dar o último suspiro. Como ser enterrada viva. Com terra que sufoca. Como cortar os pulsos com gilete cega.
É como transpirar quando a febre passa. Calafrios a todo instante. Como quem tenta extrair todo o veneno com conta-gotas. Lentamente. Arrancando curativos e jogando álcool em feridas abertas.
Você, que um dia foi amor, agora é desatino. E o amor que um dia foi pra sempre agora é incômodo. Como cortar o dedo em folha de papel. Como bolha de sapato novo apertado.
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Violência do desejo

Em cada poro do corpo. A vontade de ter mais uma vez. Falo com todos para evitar você. Deslizo entre outros amores. Agora aceito de bom grado que me toquem só para tentar apagar a violência desse desejo. Para esquecer tuas carícias. Vivo ao sabor da carne. Das paixões baratas e dos jogos de seduzir: “love was such an easy game to play”. Aí sim, eu “tiro de letra”. Engano bem. Mas ainda castigo o máximo da mulher em mim no corpo de outro. Me desligo de você, mas com pesar em todo o meu ser.

Game over

Era só mais uma madrugada quando eu ainda bebia o resto de vinho da garrafa. Bebia para tentar diluir sentimentos. Há quase 1 mês meu corpo adoece por te querer de volta. Pra tentar expulsar esse amor contido no peito. Amor reprimido. Desejo que queima todos os dias. Desassossego. Mas declaro: não suporto mais conviver com tua falta de coragem. Não quero mais ser parte do teu jogo. Bandeira branca. Não aceito mais ser teu adversário porque essa luta é tua. Game over. Acabou pra mim. Acabou pra gente. Eu ainda tento alguma coisa intensa o bastante pra te tirar desse marasmo. Quanto mais você teme mais eu avanço. Enquanto se esconde eu exponho. Não me venha mais com meio termo porque agora aceito o que for inteiro.

Meu corpo fala – Despedida…

Como se o fim estivesse premeditado as insônias voltam à assolar as noites. São 03:27 quando pego aquela rolha e olho pela última vez. Tento lembrar de cada detalhe, cada toque. Confidência, sensação e desejo. Mas esse amor se tornou tão pequeno que tudo o que sobrou foi aquele pedaço de cortiça. Bebo o último gole como quem precisa de coragem para o suspiro derradeiro. Jogo a rolha no lixo. Como quem se despede do ente mais amado. Como quem enterra a melhor lembrança, mas sabe que a vida continua a cobrar com toda dureza. Abro mão da gente. Ainda dói todos os dias. Você sabe que ainda o desejo como naquela noite, mas querer você é me perder de mim e não posso mais. Não assim.
Quase um ano depois a minha lista de perguntas pra tentar entender o que aconteceu para se afastar tanto ainda persiste. Tentei aceitar, “te disse pra ser feliz e passar bem”, mas meu corpo não aceita. Fala por si. Meu útero não suporta e adoece. Sangra. Desde aquele dia algo se estraçalhou aqui dentro. Cada homem que me toca só me leva de volta para você. E agora eu preciso voltar para mim.