Saudade

Eu nem me atrevo a chamar de saudade

essa angústia que agora me prende o peito.

Não tenho certeza.

Quase faz cócegas.

Incomoda. Perturba.

Quase dói. Tão juntos. Próximos.

Tão longe. Tão sintonizados.

Tão distante.

Tanta coisa por viver.

Aquela música por dançar.

Aquele último gole.

Saideira.

Eu não sei. Você também não.

Já não conto os dias, mas te espero quero.

Cinzas

Ainda me custa a acreditar

que voltei

para você se armar de novo.

Usa. Abusa.

Joga no lixo.

Eu vou tacar fogo.

Queimar até o último vestígio.

Sentir a pele arder em carne viva.

Até que só me sobrem cinzas desse amor.

Ainda é você

A saudade corrói mais uma noite. Toma conta. Abro aquele último vinho que estava guardado. O excesso de pensar ainda é minha briga. Luto a cada minuto contra sentir demais. Dia e noite. “Can’t you see I’m a mess without you”?
Tem aquele que quase ocupou esse vazio, mas decidiu ir embora. Tem o que tentei, mas nunca amei.
E tem você.
“It had to be you”. I used to think.
Eu tento. Nego. Disfarço porque já conheço o final desse filme.
Não vou mudar pra ter você. Não posso. Minha verdade é forte demais.
Mas quanto mais distante mais vontade.
Quando mais longe, mais quero.
O corpo não nega. Não sabe suportar. Deseja. Incendeia.
Arrepia. Transforma. Grita. Arde.

Ridículo

Como podes ler o que te escrevo e ainda ficar indiferente? E não vir correndo para esse abraço? Para possuir esse corpo que ainda é tão seu?
Como consegues passar todo esse tempo fugindo? Correndo para longe do que mais desejas e fingindo estar bem? Tentas, mas não me enganas.
Sim. És cruel comigo desde aquela noite, mas sabes que és ainda mais cruel contigo.
Foges de mim porque não te suportas.
Meu bem, ainda não sabes que é mais difícil fingir do que enfrentar todo o ridículo do amor?