Palavra de mulher: Bia Granja

”Uma pessoa que está tuitando quando deveria estar trabalhando… ou vice-versa!”, é assim a autodefinição de Bia Granja (@biagranja) que é curadora do youPIX, curadora da SMW São Paulo (Social Media Week) e co-curadora da Campus Party. Bia é uma das pessoas mais influentes na área digital aqui no Brasil e nessa entrevista ela nos ajuda a entender um pouco mais sobre a cultura de internet e como isso reflete na nossa vida.

Como começou seu envolvimento com a internet e como surgiu a idéia do youPIX?

Eu nunca fui nerdona e só comecei a “mexer” com internet lá pelos anos 2000. Desiludida com o mercado de Turismo (eu cursava isso na faculdade), fui atrás de trabalho e encontrei em uma incubadora de projetos de internet. Foi aí que conheci o Google e as maravilhas da web. Passava o dia fazendo busca de tudo quanto é tipo: canguru, rios da índia, como usar panela de pressão… enfim, tudo me encantava. Só muito tempo depois, em 2006 e em outra empresa, que surgiu o youPIX. Primeiro como uma revista impressa e só a partir de 2009 com os eventos que são o carro chefe da marca hoje.

O que você define como cultura de internet?

A cultura de internet é a expressão do jovem de hoje em dia. A internet nos deu ferramenta e poder pra produzirmos conteudo e nos expressarmos livremente. O produto desse empoderamento é a cultura de internet: o conteudo, as girias, as expressoes, as linguagens, os personagens, os memes, os comportamentos. Tudo isso criado ativamente por todos, de maneira colaborativa, interativa, frenética, visceral.

Já vi pesquisas dizendo que a mulher interage mais nas redes sociais. Isso é verdade? Por que você acha que isso acontece?

Eu também já vi! :)) As mulheres são seres naturais e agregadores por natureza. Gostamos de conversar, gostamos de criar laços, gostamos de criar conexões… quando surge uma ferramenta especialmente pra isso, faz sentido que a gente se aproprie dela com mais vontade.

Como você acha que a internet e as redes sociais influenciam no lugar da mulher na sociedade?

Fiquei pensando muito sobre como responder a essa pergunta. Imagino que a resposta cliche seria falar sobre o quanto a internet dá voz, expressao, conexao e oportunidade de compartilhamento pras mulheres. Mas eu acho que ela dá isso pra todo mundo, pra qualquer “minoria” (super entre aspas), pra qualquer causa, pra qualquer pessoa, e essa é a beleza da coisa.

Hoje vemos um mundo cada vez mais “digital”, no qual a internet é peça fundamental da cultura e das sociedade. Quais os impactos você imagina que a internet ainda irá causar? Acha que uma hora teremos uma “pausa” nesse excesso de informação ou a tendência é que isso aumente cada vez mais?

O mundo não é só cada vez mais digital, ele é cada vez mais conectado. Estou muito ligada hoje em dia com o que chamam de cibridismo. Com nossos celulares com 3G sempre nas pontas dos dedos, estamos nos tornando seres ciber-híbrididos e a barreira entre o on e o offline está caindo. A conexão pauta cada vez mais nosso comportamento no mundo, teoricamente, offline e já causou uma série de mudanças na maneira como a gente se relaciona, vive, consome e compartilha coisas. A medida que mais e mais pessoas ficam online 24/7, o excesso de informação só tende a aumentar. O que eu acho que vai acontecer é que nos ajustaremos a isso criando filtros e aprendendo o que é relevante ou não.

Palavra de mulher: Marina Damião

Marina Damião, 30 anos. Nutricionista. Pós graduada em nutrição clínica pela universidade gama filho. Especializanda em ciências de alimentos pela UFOP.  Sócia-propietária da empresa nutri Service- Consultoria em Nutrição. Nutriconista da Saúde do Trabalhador da MGS.

Por que você acha que hoje em dia quase todas as mulheres estão insatisfeitas com o próprio peso?

Nós estamos insatisfeitas porque a mídia (seja ela através de televisão, revista, internet ou outros meios de comunicação) coloca um modelo de mulher perfeita que nem sempre se encaixa com o padrão individual de cada uma de nós. Temos que nos lembrar que cada uma de nós tem um biotipo diferente e valorizar o que temos de melhor. Não podemos ser todas iguais!

Falo isso não só em relação ao peso e sim ao corpo de uma forma geral. Os homens também já começaram a entrar nessa. Uma vez, em consultório, um paciente do sexo masculino já chegou a abrir uma revista e me mostar uma foto do Arnold Schwarzenegger quando eu perguntei qual era o seu objetivo. E isso era quase impossível.

O que você acha dessa obsessão feminina pelo “peso ideal”? E esse excesso de casos de transtornos alimentares como anorexia/ bulimia?

É como eu disse antes. Hoje o “mundo” nos cobra perfeição e queremos ser assim. A mídia coloca que para sermos felizes e bem quistas pela sociedade temos que estar MAGRAS, termos cabelos de tal maneira e isso e aquilo. Não podemos nos esquecer que nem sempre estar com o peso dentro dos “padrões” significa saúde.

Muitas fazem as continhas do IMC = indíce de massa corporal e se o valor dá acima do limite vão a loucura. O peso ideal é muito individual e vai muito além da relação com a altura. Leva em consideração toda uma história de vida, atividade física, massa muscular, predisposição genetica e etc.

Por exemplo, sabemos que existem mulheres que tem uma genética para quadril mais largo. Isso é dela. Ela pode tentar de tudo: adequar a alimentação, fazer atividade fisica e até partir para uma cirurgia. Pode melhorar, mas dificilmente ela conseguirá ter um quadril de modelo. E isso traz frustação porque na cabeça dela ela não conseguiu se encaixar dentro dos padões de beleza exigidos pela sociedade. E assim começam a surgir os transtornos alimentares, que se tornam cada dia mais frequentes, junto com a ditadura do corpo perfeito.

Sabemos que grande parte das mulheres faz loucuras para emagrecer. Mas mesmo com tantas loucuras percebemos que a maioria tem dificuldades em seguir uma dieta/ alimentação balanceada. Por que você acha que isso acontece?

Na verdade, o que as pessoas querem hoje são resultados rápidos e sem grandes esforços.  Por isso, quando surgem essas fórmulas milagrosas a mulherada fica “enloquecida”. Mas podem esquecer! Dietas rápidas e “loucas”, infelizmente, não adiantam quando falamos em perda e manutenção de peso de uma forma saudável. Quem dá conta dessas dietas a base de sopa ou shake por mais de 15 dias? Ninguém! Além de não serem nenhum pouco balanceadas e nutritivas são ruins, monótonas e não condizem com o nosso dia-a-dia.

Por que a maioria das mulheres tem essa relação tão conturbada com a comida/alimentação?  Por que muitas vezes a comida vira “válvula de escape”? 

Uma psicóloga ou terapeuta conseguiria responder melhor essa pergunta. Mas o que sabemos é que a ansiedade tem uma relação muito íntima com a alimentação. Pessoas em crise de ansiedade lidam de diferentes maneiras diante da comida. Alguns deixam de comer e outros comem mais. Pessoas que comem mais por ansiedade acabam entrando em um ciclo vicioso, onde a ansiedade gera compulsão por alimentos, que gera culpa e que aumenta ainda mais a ansiedade. Nesse tipo de caso é muito importante um acompanhamento mais de perto de um psicologo. Apenas “dieta” não resolve.

Palavra de mulher: Fernanda Mello

Fernanda Mello (@fernandacmello) é escritora e compositora, formada em publicidade pela PUC-MG. Autora do livro “Princesa de Rua” e compositora de músicas de sucesso. Trabalha com conteúdo para mídias digitais e escreve crônicas para revistas, blogs e letras de músicas. Nessa entrevista ela fala sobre coisas que ela entende bem: emoções, palavras e sentimentos.

Você sempre quis ser compositora/escritora? Quando descobriu que tinha jeito para lidar com palavras e sentimentos?

Descobri que levava jeito com as palavras quando ganhei um concurso de redação no primário, foi um super incentivo…

Em uma das suas frase você diz que: ” poesia é escrever o que não cabe mais na vida”. É para isso que você escreve: para exteriorizar sentimentos? Parece que escrever é quase uma terapia para você…

Escrever para mim é mesmo uma terapia. Nas palavras eu me encontro e me descubro. 

Na maioria dos seus textos você fala muito de amor/sentimentos/paixão e isso dá a impressão que você está sempre apaixonada. É verdade? Qual lugar o “amor” ocupa na sua vida?

Eu sou apaixonada pela vida, não por uma pessoa. Isso acontece, às vezes, mas o que me move é a paixão e a curiosidade que tenho pelo mundo. Acho que o amor é começo de tudo, sem ele a vida não teria sentido.

O que é ser uma “Princesa de Rua”?

É aceitar nossas contradições, ser luxo e ser lixo, ser uma princesa e andar de chinelo, é ser muitas mulheres em uma só.

Porque você acha que “Amar é Punk“?

Porque relacionamento é complicado, essa é a realidade. Amar é um exercício difícil e maravilhoso, que exige muita dedicação, paciência. E tolerância.

Palavra (s) de mulher (es): Só as mães são felizes.

Esse mês o Palavra de Mulher é diferente. Ao invés de convidar uma entrevistada eu resolvi convidar três mulheres que eu conheço e que tem filhos para falar um pouquinho sobre o que é ser mãe. E mesmo sendo mulheres com perfis bem distintos, em uma coisa todas concordaram: ser mãe é a experiência mais incrível pela qual elas já passaram.

Nas próximas linhas elas dividem um pouco dessa experiência com a gente…

Ana Elisa, 27 anos, nutricionista, solteira. Mãe de Clara, 8 anos. 

Pra mim ser mãe não existe segredo e não existe sacrifício
É alguém que vem para completar, somar, transformar 
É sonhar, sorrir e chorar
É cuidar, abraçar, entender e descobrir que a cada dia a vida recomeça
É um amor infinito, uma felicidade contínua e uma força inexplicável
É uma nova vida que vem de você, e é simplesmente mágico
É o início, é o meio e jamais o fim.

Viviane Andrade, 31 anos, consultora logística, TI e autora do blog Para garotas e mulheres, casada. Mãe de Isaac, 5 anos e Samuel, 3 anos. 


Ser mãe é algo difícil de resumir em apenas um parágrafo – uma covardia! E precisa mesmo limitar, porque nem todo o espaço do mundo é suficiente para descrever o sentimento, estado, forma e conteúdo de o ser. Não que sejamos melhores que as mulheres que não experimentaram a maternidade, deixo claro, pois não sou do tipo que se define apenas pela maternidade e amo todas as minhas outras facetas. Mas sabe, desde quando esperava pelo nascimento do Isaac muita coisa mudou nessa pessoa agitada e ansiosa por natureza: alteraram-se minhas prioridades e desenvolvi uma antes inimaginável elasticidade, só para começo de conversa. Os momentos mais simples são minha prioridade: passo horas vagas em que adoraria estar vitrinando pelos corredores do shopping ou me entregando a cuidados estéticos dando colo e deixando que meus cabelos virarem brinquedo fácil, assisto pela milionésima sexta vez Procurando Nemo, Madagascar e uma pilha gigante de filmes para os quais já sirvo de dubladora, faço cabana com o edredom, não prego o olho enquanto não os vejo dormindo e seguros, e mil etc. Meu amor, paciência, renúncia e doação se expandem o quanto as gargalhadas faceiras do Samuel e o abraço apertado do Isaac inspiram. Não é sempre um mar de rosas, porque as outras Vivianes que compoem minha pessoa são igualmente exigentes, mas afirmo sem hesitação, que ser a mãe desses 2 homens lindos é a realização mais transformadora que experimentei. Amo minhas crias! E agradeço a Deus a dádiva de ser a mãe deles.

Pryscilla Bragança, 24 anos, solteira. Mãe de Gabriel, que faleceu com 1 ano e meio.

Desde a gestação, nos primeiros movimentos, já senti um amor que tomou conta de mim antes mesmo de ver seu rostinho ou o sexo, já senti como se minha vida tivesse mudado completamente, ver seu maior amor, crescer dentro de você, nascer e viver é sem dúvida o “paraíso”. Todos os dias ao lado do meu pequeno era como se tudo fosse “um dia ensolarado de tarde no parque”. Mas algumas mães, entre elas eu, são escolhidas para além de passar por toda essa emoção, de vê-lo crescer em você, nascer e viver, são escolhidas para ver seu filho morrer. O pior não é se despedir e sim se despedir todos os dias. Perder meu filhinho fez com que o mundo ficasse triste e vazio, eu fiquei desorientada, perdida e com muita saudade. Ele partiu, se foi e está iluminado e com Deus. Todo brilho que existia em mim, foi junto com o melhor que eu tinha, meu filho, meu príncipe. Sinto sua falta, era o que eu dizia toda hora que me ausentava dele, hoje é o que digo para meu coração. Mas mesmo com toda essa dor, todos os dias ao lado do meu príncipe foram um paraíso, então, eu não me arrependo em nenhum momento das dores que tive que passar.