De que vale essa saudade?

Não responde. Desvia o olhar. Não consegue encarar. Até quando está distante. Mas sabe, não é de mim que você se esconde, meu bem.
É só o que eu queria te dizer. Eu não mudaria nada.
Eu só queria ser capaz de garantir que você soubesse. Só queria te fazer acreditar que, eu sou sim, toda errada. Meu lado preferido é o avesso. Sou só essa mulher que não se contém porque é o único jeito que encontrei. É só assim que eu consigo. Mas perto de você eu não sou mais do que sua “doce menina” querendo se entregar. Inteira. Em carne crua. Em corpo, sentimento e desejo.
Afinal, de que vale essa saudade se continua longe? Se toda vez que chego mais perto ainda se afasta e vai embora?
Me diz, meu bem: como eu faço para entrar e ficar?
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Quando a noite terminava…

É mais uma noite quando o peito aperta e sufoca como se o ar me faltasse. De segunda a sexta a rotina pesada alivia, mas se paro por apenas um segundo; dor, saudade, perda. Eu tentei ser de outro e, quando me dei conta, era a tua falta que eu sentia. Fracassei mais uma vez. Eram as tuas mãos que sabiam me tocar, teu corpo que se encaixava no meu e só as tuas carícias me estremeciam. Era por você que meu desejo ainda clamava quando a noite terminava.
Volto pra mim.
Não ser de ninguém é menos cruel do que ser dele sendo tua.
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Ainda vou sentir tua falta…

Pode passar 1 ano que eu ainda vou ter o teu gosto no meu corpo. Incrustada na pele a marca do desejo, do mesmo jeito que a Ella canta: “That this longing for you follows wherever I go […] Under the hide of me. Theres an oh such a hungry yearning burning inside of me”. E ainda que venham outros homens eu ainda vou me lembrar daquela noite de um dia 28 qualquer. E não importa que eu esteja bem ou que você esteja com ela. Porque ainda que não admita continua fugindo. Eu sempre vou ser aquela mulher que te perturba. E eu ainda vou sentir tua falta cada vez que outras mãos me tocarem. E cada vez que tiver que dizer “sim” para outro que não você.

No mundo dos adultos é assim…

Últimas horas de feriado. Taça de vinho tinto. Bronca por telefone: “no mundo dos adultos é assim que funciona”. Essa frase me destrói. Como o prédio que desabou na última madrugada em SP meu corpo desaba e minhas emoções viram apenas destroços. Por algum motivo aquela primeira perda, aos 21 anos, me vem à cabeça. Não existe espaço para sonhos ou fantasias. Talvez todas as contrariedades ainda me despertem medo. Talvez, essa busca por amor seja só uma desculpa pra dizer não. Porque a verdade é que eu ainda não consigo abrir a “porta da casa”. E, cada vez que ainda tento abrir dou logo um jeito de mandar as visitas embora. Ou talvez eu apenas não saiba fazer parte do mundo dos adultos. Talvez eu não seja parte nem disso que eles insistem em chamar de mundo.