Faminta

Pareço bem.
Invisto. Brinco. Seduzo cada um que me cruza o caminho.
Finjo.
Cada dia um martírio. Cada noite de insônia um fracasso. Falho miseravelmente. Nessa decisão de me manter distante. Longe sim porque foi assim que escolheu. Distante ainda é muito para o que sou capaz.
Armo essa fortaleza para enfrentar o mundo, mas a cada segundo você é a minha fraqueza.
O corpo grita esse vazio. Essa falta.
Exausta de me doar tão completamente.
Desejo. Fome. Insaciável.
Não consigo nem olhar para o espelho,
Olhar para mim é ver você.
Meu corpo ainda é faminto de ti.

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The last choice

We’re better away from each other. Só essa frase insiste em martelar na minha cabeça. Since I’ve came back. Calafrios. Meus nervos pareciam explodir enquanto meu sangue borbulhava e escapava por cada poro. Meu estômago insistia em voltar a sangrar. Vomitava em uma vã tentativa de expulsar sentimentos.
Tentei me enganar. “Dar um tempo” para achar que dessa vez seria diferente.
Eu mudo. Sempre. A cada estação. Cresço. Floresço.
“You should be stronger than me”. Mas você ainda é o mesmo. Ainda prefere trajar-se com a armadura mais poderosa que consegue encontrar no seu closet impecável.
Sorry. It’s cool. But… sua tática de sempre não funcionou. Não dou a mínima para closets e aparências. Ainda busco vulnerabilidade.
Tento: coloco minha vida; me coloco em tuas mãos a cada palavra, a cada gesto, a cada memória e toque. Digo que adoro, mas é você quem escolhe se esconder antes mesmo do sol nascer. Your choice. The last choice.
I just can’t do this anymore.

Backup

Era para ser só mais um backup do icloud. Mas no meio apareceu aquela foto. Aquela que tirei da sua varanda para conseguir acreditar no dia seguinte que aquele momento era real.
Fora do tempo. Fora do mundo. Fora de mim.
Aquela noite éramos nós. O melhor – e o pior – adeus. Saber que só me entrego daquele jeito para você não me quebra. Me estilhaça.
Mas a vida exige continuidade. Exige buscar outros p(ares) para não sufocar por esse amor de superfície.
Eu escrevo porque é o que sei fazer para buscar o que é mais profundo. Escrevo para continuar.
Eu literatura, você música. Nos perdemos de verdade dessa vez.
Era você quem acendia, agora extingue o desejo.
Se conecta com a música porque não é mais capaz de estabelecer conexões reais. Prefere o utópico fora do tempo. O raso na vida real.
Toda vez que bebe. Toda vez que toca ou canta é como se quisesse quebrar o que te prende. Como se quisesse se soltar e expulsar as mágoas a cada sopro. Mas por algum motivo só escolhe recuar.

The last one: adeus

“Then left with a heart that is breaking.” É com violência que fecho o Spotify enquanto escuto as últimas notas e a voz de Dean Martin. Com a mesma vontade que tenho de te deletar da minha vida. De uma só vez. “But nevertheless I’m in love with you”. Mas tudo o que sobrou foram lembranças, restos de amor barato. Faço de tudo para anestesiar sentimentos. Agora sei que aquela noite não passou de uma despedida. Enquanto vejo tudo fora de lugar prefere, mais uma vez, se esconder, fingir que está tudo certo e continuar distante. Ainda que o deseje a cada noite nós dois não fazemos mais sentido. E pela primeira vez eu deixei de acreditar. Existem possibilidades demais para me prender à quem só me deixa solta demais. Enquanto eu incendeio a cada instante com a desmedida de meus sentimentos você insiste em buscar máscaras, armaduras e válvulas de escape mornas que se encaixem no seu mundinho perfeito. Ainda é árduo entender que escolha “gostar muito”. Está faminto de amor, mas é covarde para amar.