Presa/ Prey

Em teus braços sou só mais um passatempo. Sou como a rata, pelos caprichos do destino, presa às garras daquela gata. Ou mais um brinquedo nas tuas mãos, como a garrafa pet do teu cão.
Pra você eu não passo de uma presa fácil. Mas eu não ligo. Posso ser presa, mastigada, largada. Comida, possuída. Meu único medo é o de amar pouco. É o de me entregar não querendo.

Prey

In your arms I’m just a play by play. I’m like a mouse, by the whims of fate, arrested to the claws of cat. Or just a toy in your hands, as the pet bottle of your dog.
For you I’m just an easy prey. But I don’t care. I can be arrested, chewed, lay aside. Eaten, arrested. My only fear is to love little. It’s give me not wanting to surrender.

Limite

Outra noite daquelas e cheguei no limite. Ou vou ao banheiro e vomito. Ou escrevo.
Mas preciso expurgar essa coisa insana de alguma maneira. Como quem rasga a pele com lâmina contaminada. Sem anestesia. Desejando penetrar no mais fundo. Porque tudo aquilo que o papel não suporta é incrustado na pele, pela exigência do desejo. Tudo isso por aquele homem. Aquele que tem aquela mistura de intelecto e violência que me desarma. Aquele para quem eu disse que já não me importo. Que já me acostumei com a ausência. Mentira. Ainda que eu evite pensar nele eu o sinto. Na minha ânsia. No meu corpo. Em cada poro da minha pele.

Juntos IV

Mais uma vez. Juntos. E mais uma vez eu não quero nem te peço promessas. Porque eu nunca acreditei mesmo nas juras que eles se cansam de fazer e nunca cumprir. Mas eu ainda preciso de entrega. De verdades, intensidades e sentimentos completos. Tenho horror de qualquer coisa pela metade. E talvez você não perceba, mas eu sou toda urgência, “o meu coração selvagem tem essa pressa de viver”. E eu ainda não sei porque, mas só pra você eu me dou assim, tão inteira. Dou meu corpo, meu desejo. Minha alma. Meu amor. Pra você fazer o que quiser. Mesmo sabendo que vai doer outra vez. Eu não me engano. Sei que esse amor é contramão, que nosso desejo é leviano. Mas é que enquanto você é calmo, e sabe o tempo das coisas, sabe “que o amor não tem pressa, ele pode esperar”, eu ainda sou cheia de sonhos, desejos e rompantes. E tem certas coisas sobre mim que nem eu mesma sei lidar. Por trás do meu sorriso residem inseguranças e dúvidas. Mas ainda é com você que o máximo da mulher em mim transborda. De alguma forma, é só com você que me sinto mais minha.

(In) decência

Ainda me pergunto como pôde me deixar assim. Será que não vê que, depois da sua partida, cada noite é uma tortura? Qualquer outro homem teria o mínimo de decência. Qualquer outro não me deixaria. Ou, pelo menos, me deixaria com mais cuidado. Me daria banho, enxugaria minhas lágrimas, me colocaria para dormir e me cobriria ternamente antes de sair pela porta. Mas depois que você chegou eu nunca mais me importei com outros homens. E tudo que você fez foi ir embora. Como quem sai na calada da noite pela porta dos fundos porque falta coragem para encarar. Para abrir a porta da frente. Para escancarar as verdades. Felizes aqueles que preferem desviar o olhar. Felizes aqueles que não se entregam. Felizes aqueles que sentem pouco. Eu não. Em mim tudo é excesso.