De repente 30

Aos 30 anos eu ainda almejo uma barriga negativa e uma coleção de sapatos mas me preocupo muito mais em aumentar minha biblioteca. Aos 30 anos eu quero estar com os cabelos lindos e loiros mas um bad hair day deixa de ter tanta importância na vida. Aos 30 anos meu coração se quebrou tantas vezes que eu simplesmente perdi o medo de amar. Aos 30 anos eu realmente prefiro estar sozinha a “estar junto apenas por estar”. Aos 30 anos eu descobri que um relacionamento não precisa ser perfeito mas precisa ser verdadeiro. Aos 30 anos me sinto mais atraída por um cara que tem aquela barriguinha de chopp, mas com o qual você consegue conversar horas sem ver o tempo passar, do que por aquele que vive na academia, toma whey protein e come barrinha de cereal. Aos 30 anos as angústias e dúvidas continuam latentes, mas a gente entende que é através delas que a gente evolui e a vida segue o fluxo. Aos 30 anos a gente percebe que, se soubermos aproveitar as lições, as dores e decepções nos tornam pessoas melhores.  Aos 30 anos eu me preocupo em pagar as contas mas ainda sonho acordada e anoto planos no caderno. Aos 30 anos eu ainda sonho com uma casa grande com sótão, mas também seria feliz conseguindo pagar o aluguel de um apartamento pequeno. Aos 30 anos eu sei que ainda vou “chegar lá”, mas me preocupo principalmente com o caminho a ser trilhado. Aos 30 anos eu ainda busco algo especial. Aos 30 anos, enquanto o mundo me pede mais calma, e eu só me entrego pela alma.

Quase 30

Daqueles dias nos quais eu paro por alguns minutos e tento entender o que é que estou fazendo aqui. Aos quase 30 anos eu tenho cada vez menos certezas. Essa viagem chamada “vida” às vezes perde um pouco o sentido e as buscas ainda fazem mais parte do que os caminhos certos. A insegurança aumenta na mesma proporção que o desejo de realizar e cada vez mais eu sei que não quero simplesmente passar os dias esperando minha vez de ir embora. Eu, que às vezes pareço tão “bem resolvida”, ainda preciso de alguém que me cuide, me entenda, me explique e me ensine. Durmo tarde e só quem vive nessas noites de insônia sabe o sentido real de se sentir viva. Viva e ao mesmo tempo morta. Aos quase 30 anos os amores são cada vez mais líquidos e o desejo de amar é cada vez mais sólido. Aos quase 30 anos a angústia aumenta mas a gente descobre que só pelas dúvidas e questionamentos a gente pode se tornar quem é. Aos quase 30 anos eu sei que a idade não é mais do que um artifício inventado pelos homens. Aos quase 30 anos eu preciso de menos certezas e muito mais amor no peito.