Palavra de mulher: Marina Damião

Marina Damião, 30 anos. Nutricionista. Pós graduada em nutrição clínica pela universidade gama filho. Especializanda em ciências de alimentos pela UFOP.  Sócia-propietária da empresa nutri Service- Consultoria em Nutrição. Nutriconista da Saúde do Trabalhador da MGS.

Por que você acha que hoje em dia quase todas as mulheres estão insatisfeitas com o próprio peso?

Nós estamos insatisfeitas porque a mídia (seja ela através de televisão, revista, internet ou outros meios de comunicação) coloca um modelo de mulher perfeita que nem sempre se encaixa com o padrão individual de cada uma de nós. Temos que nos lembrar que cada uma de nós tem um biotipo diferente e valorizar o que temos de melhor. Não podemos ser todas iguais!

Falo isso não só em relação ao peso e sim ao corpo de uma forma geral. Os homens também já começaram a entrar nessa. Uma vez, em consultório, um paciente do sexo masculino já chegou a abrir uma revista e me mostar uma foto do Arnold Schwarzenegger quando eu perguntei qual era o seu objetivo. E isso era quase impossível.

O que você acha dessa obsessão feminina pelo “peso ideal”? E esse excesso de casos de transtornos alimentares como anorexia/ bulimia?

É como eu disse antes. Hoje o “mundo” nos cobra perfeição e queremos ser assim. A mídia coloca que para sermos felizes e bem quistas pela sociedade temos que estar MAGRAS, termos cabelos de tal maneira e isso e aquilo. Não podemos nos esquecer que nem sempre estar com o peso dentro dos “padrões” significa saúde.

Muitas fazem as continhas do IMC = indíce de massa corporal e se o valor dá acima do limite vão a loucura. O peso ideal é muito individual e vai muito além da relação com a altura. Leva em consideração toda uma história de vida, atividade física, massa muscular, predisposição genetica e etc.

Por exemplo, sabemos que existem mulheres que tem uma genética para quadril mais largo. Isso é dela. Ela pode tentar de tudo: adequar a alimentação, fazer atividade fisica e até partir para uma cirurgia. Pode melhorar, mas dificilmente ela conseguirá ter um quadril de modelo. E isso traz frustação porque na cabeça dela ela não conseguiu se encaixar dentro dos padões de beleza exigidos pela sociedade. E assim começam a surgir os transtornos alimentares, que se tornam cada dia mais frequentes, junto com a ditadura do corpo perfeito.

Sabemos que grande parte das mulheres faz loucuras para emagrecer. Mas mesmo com tantas loucuras percebemos que a maioria tem dificuldades em seguir uma dieta/ alimentação balanceada. Por que você acha que isso acontece?

Na verdade, o que as pessoas querem hoje são resultados rápidos e sem grandes esforços.  Por isso, quando surgem essas fórmulas milagrosas a mulherada fica “enloquecida”. Mas podem esquecer! Dietas rápidas e “loucas”, infelizmente, não adiantam quando falamos em perda e manutenção de peso de uma forma saudável. Quem dá conta dessas dietas a base de sopa ou shake por mais de 15 dias? Ninguém! Além de não serem nenhum pouco balanceadas e nutritivas são ruins, monótonas e não condizem com o nosso dia-a-dia.

Por que a maioria das mulheres tem essa relação tão conturbada com a comida/alimentação?  Por que muitas vezes a comida vira “válvula de escape”? 

Uma psicóloga ou terapeuta conseguiria responder melhor essa pergunta. Mas o que sabemos é que a ansiedade tem uma relação muito íntima com a alimentação. Pessoas em crise de ansiedade lidam de diferentes maneiras diante da comida. Alguns deixam de comer e outros comem mais. Pessoas que comem mais por ansiedade acabam entrando em um ciclo vicioso, onde a ansiedade gera compulsão por alimentos, que gera culpa e que aumenta ainda mais a ansiedade. Nesse tipo de caso é muito importante um acompanhamento mais de perto de um psicologo. Apenas “dieta” não resolve.