Juntos II

Porque adoro quando cola teus lábios sob os meus com fúria lasciva e me cala a boca. E me faz esquecer neuroses e bobagens. Quando ignora os meus caprichos e me deixa completamente vulnerável. Porque independente do que esse amor seja, o meu desejo não mais me pertence. Agora tudo é seu. E eu, que nunca quis ser objeto de posse de alguém agora me entrego de bom grado. De bandeja e bem servida. E quando estamos juntos a única coisa que me importa é a vontade e o calor desse homem. E quanto mais me tem em seus braços mais eu quero me dar. Mais eu desejo que me tenha. Inteira. Porque esse anseio é cada vez mais intenso e pungente. Um amor cada vez mais entregue. Frágil, profundo, devasso. Perverso. Humano.

Incompatível

Aquele homem não me sai da cabeça porque está impregnado no meu corpo. Nesse amor sem nenhuma decência, onde a carne fala mais alto do que qualquer incompatibilidade. E se a gente não combina, quem se importa com as banalidades do dia a dia quando a alma incendeia à flor da pele? É que nossa linguagem comum é a do desejo. Inteiro e imenso. Devassidão levada às últimas consequências. A gente se encontra no amor pela arte. Na escrita. Nesse nosso caso que não tem vergonha, não tem governo e não tem juízo.