No tapete atrás da porta

Ainda me recordo daquelas noites nas quais eu costumava me jogar no chão do quarto ouvindo “Atrás da porta” na versão de Elis: “até provar quinda sou tua”. Dizer que era dele era mais fácil do que assumir que nunca fui mais do que o vira-lata sem dono e tinha que dar conta sozinha. Como na história da “Dama e o Vagabundo”, só que nunca fui a dama. Quiçá apenas uma forma de me iludir, achando que eu tinha lugar no mundo só pra me afastar de mim e escapar dos becos sem saída da minha vida emocional e aceitar que talvez eu realmente prefira a crueza da solidão sem disfarces do que o vazio das relações em tempos líquidos. Porque a verdade é que busco esses pseudo romances pra me livrar do excesso de sentir e depois vejo que aquilo que eu tento chamar de amor é só um capricho, uma teimosia em tentar amar sem máscaras.

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Em carne viva

Coração em carne viva. Não suporto mais essa força que me toma tal qual dinamite que não explode. Respiração ofegante e nervos à flor da pele. Me perdoem as heroínas, mas necessito da totalidade do “sexo frágil”. Quero só ser mulher.
Cansei de tantas máscaras. Prefiro dilacerar novamente o coração a amar com medida. Prefiro ser despedaçada a me deparar com o meio termo. Só aceito os extremos. Não tenho mais medo. Aceito cada ferida aberta, mas ainda imploro por menos beleza e mais alma. Menos ilusão e mais verdades rasgadas. Menos mostrar e mais sentir. Quero ímpeto. Instinto. Enquanto eu anseio por mais eles ainda estão pisando no freio. Não posso mais conviver com o desinteresse e automatismo. Com a frieza e as superfícies. Quero ir fundo. Tão fundo. Afogar. Viver. Transbordar.
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Só sou louca por uma coisa

“Só sou louca por uma coisa, você.”, é o que leio nas páginas de Henry Miller, enquanto insiste em manter essa distância entre nós. Mas, nesses tempos, ninguém se entrega mesmo de verdade. As desvairadas como eu não podem amar. De repente o amor não passa de mais uma insensatez, uma tolice qualquer. Nada mais do que um jogo para dois no qual eu sempre perco enquanto todos eles teimam em se defender mesmo quando não há ataque. Mas não, a culpa não é deles. A culpa é minha. Só minha. Eu que carrego o fardo de sentir e querer demais ao invés de me conformar com esses tempos de fast food, amores instantâneos e desejos corriqueiros pautados em egos.

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Work me, lord

Daqueles dias nos quais a vida mais parece uma travessia por labirintos de arame farpado do qual é impossível sair ilesa.
O mundo parece sarcástico. Esmaga sem piedade a alma de quem nasceu com a sensibilidade exacerbada e nos perfura o coração a cada instante. Como hemorragia interna que só se descobre quando a morte já é mais viva.
Por aqui um eterno vazio. Um abismo obscuro que até eu mesma tenho medo de adentrar demais porque sei que nunca será preenchido. Uma dor sem remédio, uma ferida que só faz aprofundar e jamais cicatrizará. Uma fome que não cessa, um corpo que parece constantemente ardendo em febre. Um ciclo sem fim.
Work me, lord“, canta Janis em tom rasgado enquanto todos os dias eu ainda insisto : “Oh, Deus, me faça olhar para mim com os mesmos olhos que você me vê”.