04:19

Outra madrugada. Deitada em posição fetal. Fecho os olhos mas o sono não vem. Meu único sonho é retornar ao útero. A saudade corrói como úlcera hemorrágica. Como um eterno regurgitar de sentimentos. Sinto tua falta como se tivesse me arrancado um órgão vital. Pareço bem, mas há falta em tudo que eu vivo. Todo ar não é o bastante para me fazer respirar. Toda multidão é solidão. Todos os homens do mundo ainda seriam insuficientes. Viver parece um pesadelo, como se todos os dias fossem 04:19 daquela quarta-feira, quando você me mandou embora, “me disse pra ser feliz e passar bem” como na canção do Chico.

 

Juntos IV

Mais uma vez. Juntos. E mais uma vez eu não quero nem te peço promessas. Porque eu nunca acreditei mesmo nas juras que eles se cansam de fazer e nunca cumprir. Mas eu ainda preciso de entrega. De verdades, intensidades e sentimentos completos. Tenho horror de qualquer coisa pela metade. E talvez você não perceba, mas eu sou toda urgência, “o meu coração selvagem tem essa pressa de viver”. E eu ainda não sei porque, mas só pra você eu me dou assim, tão inteira. Dou meu corpo, meu desejo. Minha alma. Meu amor. Pra você fazer o que quiser. Mesmo sabendo que vai doer outra vez. Eu não me engano. Sei que esse amor é contramão, que nosso desejo é leviano. Mas é que enquanto você é calmo, e sabe o tempo das coisas, sabe “que o amor não tem pressa, ele pode esperar”, eu ainda sou cheia de sonhos, desejos e rompantes. E tem certas coisas sobre mim que nem eu mesma sei lidar. Por trás do meu sorriso residem inseguranças e dúvidas. Mas ainda é com você que o máximo da mulher em mim transborda. De alguma forma, é só com você que me sinto mais minha.

Atrás da porta: Ah, Chico!

O “Atrás da Porta” desse mês é um pouquinho diferente. Hoje eu estava totalmente “atarentada” com foco em outro projeto e blog em segundo plano quando, hoje de manhã, recebo um email da minha amiga Aline Euzébio (@alineboches) – que, diga-se de passagem, acho que já posso considerá-la colaboradora especial do blog =) – dizendo o seguinte:

“Hoje é aniversário do Chico Buarque, não vai ter nem um post de homenagem, já que seu blog é todo ‘chicoso’?”

Eu fiquei pensando e percebi que, se não falasse dele, ia ser uma desfeita muito grande, já que tive a audácia de pegar títulos ou trechos de canções do Chico (tudo explicadinho aqui!) para nomear as seções do blog. Então, como essa é a seção para falar de amor, o post de hoje é para ele…

Esse texto não é mais que mais que um texto de amor. É a palavra de uma mulher que às vezes é moça, às vezes triste, mas às vezes se sente tão linda de se admirar e, por você, se contentaria apenas com um sonho de valsa ou um corte de cetim. Quem dera fosse uma declaração de amor romântica, mas é só um pedaço de mim, apenas umas idéias atrapalhadas dessa moça em contraluz para te dizer que, com você, a vida é muito mais samba, choro e rock’n’roll. Com você, atrás da porta, não tem vergonha, não tem governo e não tem juízo. Ah, Chico, e se eu pudesse entrar na sua vida…