Nude

É que para entrar em meus segredos não basta que eu tire lentamente cada peça de roupa olhando nos olhos dele porque minha nudez não está no corpo. Vem da alma. Das palavras traçadas em versos livres. Porque estar nua em corpo é quase espontâneo e despir-se da “moral e dos bons costumes” ainda é mais fácil do que livrar-se de armaduras internas. De defesas preservadas por longos anos e de neuroses castigadas pela dureza da vida. Mas sé é para ser mulher que seja assim: inteira, verdadeira. Que minha feminilidade seja vivida até o limite. Entregue ao meu desejo e tomada pelo fervor do homem que escolhi. E ainda assim, se Nelson Rodrigues dizia que “toda nudez será castigada” meu castigo vem do sentir demais. De corpo e alma. E de tudo mais que vier.

Noite quente

Tão quente que me atirei debaixo do chuveiro gelado às 3 da manhã. Sozinha, luzes apagadas e somente o pequeno abajur ao lado da cama permaneceu aceso. Pele nua e arrepiada. Apenas os cabelos soltos e desgrenhados cobriam parte das costas. Creme de baunilha. Calcinha de renda e camiseta de algodão. O corpo queima e o desejo perdura. Eu ainda o espero todas as noites porque tenho o nome dele incrustado em cada curva do meu corpo. E que se a noite é por demais quente, se a vontade desse amor é urgente, o coração dele ainda é displicente.

 

Carne

Eu não falo grego mas ainda assim não me entende. Porque essas conversas digitadas não me dizem mais nada. E nem mesmo mil palavras iriam me acalmar o desejo.
Porque a minha pele ainda se arrepia ao lembrar do toque e aquele cheiro ficou impregnado em cada parte do meu corpo. E posso sentir o sangue latejando, enquanto a carne clama intensamente essa presença, ao mesmo tempo em que escuto o Chico cantando: “meu corpo é testemunha do bem que ele me faz”.
Porque algo em mim teima em te dizer sim. Em querer ainda mais. Em te querer mais.