Amor perecível

As angústias latentes e as náuseas anunciam aquilo que já fora premeditado. De estômago vazio continuo a vomitar. Um sabor amargo, que poderia ser bílis. Mas ao encarar minha imagem no espelho do banheiro sou obrigada a aceitar a verdade. E eu bem sei que só coloco para fora os restos desse amor perecível e degradante. Porque meu corpo, que sente demasiado, bate o pé. Me exige e me culpa por tanto desassossego. E se nega a aceitar esse vício, a ser totalmente aniquilado por essa sensação entorpecente de paixão barata. Porque a mesma mulher que quer insanamente se entregar também deseja ir embora, virar as costas e colocar ordem nesse coração sujo, que agora devaneia entre a urgência do mundo real e o caos da fantasia. O tormento do desejo. A impotência perante o sentimento.

Juntos III

Essa paixão que explode em cada poro da pele. O cheiro e o toque das mãos impregnado nas curvas do corpo. Esse desejo que consome a alma, devora as entranhas. Toma conta. Deixa tudo sem controle. E tudo isso por esse amor ridículo. Sem nenhuma decência ou futuro. Amor com prazo de validade. E ainda assim é você que eu quero. E nessa louca insensatez eu confesso: eu tento escapar, mas é com você que eu me deparo quando a noite vem. Porque é o único pelo qual meu corpo clama e é pra você que minha alma está entregue.

Descompasso II

E eu ainda me pego pensando naquele homem e, estranhamente, não me importo em estar tão vulnerável. Porque o desejo com instinto cego e quando estamos juntos nada mais importa. E eles não entendem, porque ainda sentem tão pouco perto desse nosso descontrole. Porque entre a gente é assim: tudo é descompasso. Beleza e encantamento. Desrazão. A carne insensata que pede mais. O corpo que deixa de ser dono de si e a vontade única de perder-me em seus braços, enquanto fundimos nossos corpos e você deixa marcas profundas na minha pele.

Juntos II

Porque adoro quando cola teus lábios sob os meus com fúria lasciva e me cala a boca. E me faz esquecer neuroses e bobagens. Quando ignora os meus caprichos e me deixa completamente vulnerável. Porque independente do que esse amor seja, o meu desejo não mais me pertence. Agora tudo é seu. E eu, que nunca quis ser objeto de posse de alguém agora me entrego de bom grado. De bandeja e bem servida. E quando estamos juntos a única coisa que me importa é a vontade e o calor desse homem. E quanto mais me tem em seus braços mais eu quero me dar. Mais eu desejo que me tenha. Inteira. Porque esse anseio é cada vez mais intenso e pungente. Um amor cada vez mais entregue. Frágil, profundo, devasso. Perverso. Humano.