Incompatível

Aquele homem não me sai da cabeça porque está impregnado no meu corpo. Nesse amor sem nenhuma decência, onde a carne fala mais alto do que qualquer incompatibilidade. E se a gente não combina, quem se importa com as banalidades do dia a dia quando a alma incendeia à flor da pele? É que nossa linguagem comum é a do desejo. Inteiro e imenso. Devassidão levada às últimas consequências. A gente se encontra no amor pela arte. Na escrita. Nesse nosso caso que não tem vergonha, não tem governo e não tem juízo.

Noite quente

Tão quente que me atirei debaixo do chuveiro gelado às 3 da manhã. Sozinha, luzes apagadas e somente o pequeno abajur ao lado da cama permaneceu aceso. Pele nua e arrepiada. Apenas os cabelos soltos e desgrenhados cobriam parte das costas. Creme de baunilha. Calcinha de renda e camiseta de algodão. O corpo queima e o desejo perdura. Eu ainda o espero todas as noites porque tenho o nome dele incrustado em cada curva do meu corpo. E que se a noite é por demais quente, se a vontade desse amor é urgente, o coração dele ainda é displicente.

 

Fogo

Hoje eu aceito que esse desajuste irá me acompanhar durante toda a vida. Porque o meu mundo é diferente dos outros. Universo particular.
Porque nunca vou me acostumar com amores que se extinguem tão facilmente como água escoando pelos dedos. Com sentimentos tão baratos quanto efêmeros. Com palavras que evaporam antes do sol raiar e promessas que só duram o tempo de uma noite. Com entregas rasas, ações covardes e relações medíocres.
E enquanto eles se contentam com a ilusão e o faz-de-conta, eu ainda sigo buscando o mais real e profundo. Porque quanto mais eles congelam, mais eu incendeio.

Carne

Eu não falo grego mas ainda assim não me entende. Porque essas conversas digitadas não me dizem mais nada. E nem mesmo mil palavras iriam me acalmar o desejo.
Porque a minha pele ainda se arrepia ao lembrar do toque e aquele cheiro ficou impregnado em cada parte do meu corpo. E posso sentir o sangue latejando, enquanto a carne clama intensamente essa presença, ao mesmo tempo em que escuto o Chico cantando: “meu corpo é testemunha do bem que ele me faz”.
Porque algo em mim teima em te dizer sim. Em querer ainda mais. Em te querer mais.