Fugaz

Não sei em qual momento me peguei sob o clichê do amor. Mas minha vontade era te ligar. Te pedir pra deixar tudo de lado e voltar correndo. Como num choro, uma birra ou um desespero infantil. É que, apesar do tempo, da distância e até de outros homens, ainda é você que eu anseio com esse amor desvairado. Ainda é você incrustado no meu corpo como impressão digital, mesmo que já tenham passado quase quatro meses desde aquele dia 28. É por você que alguma coisa – que nem eu sei o que – dentro de mim insiste em machucar. Incômodo que não passa. Como cortar o dedo em folha de papel. Como picada de pernilongo. Não queria que nosso encontro tivesse sido tão fugaz, mas espero que entenda que ainda sou por demais minha pra aceitar que um romancezinho qualquer tome conta da minha vida.
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04:19

Outra madrugada. Deitada em posição fetal. Fecho os olhos mas o sono não vem. Meu único sonho é retornar ao útero. A saudade corrói como úlcera hemorrágica. Como um eterno regurgitar de sentimentos. Sinto tua falta como se tivesse me arrancado um órgão vital. Pareço bem, mas há falta em tudo que eu vivo. Todo ar não é o bastante para me fazer respirar. Toda multidão é solidão. Todos os homens do mundo ainda seriam insuficientes. Viver parece um pesadelo, como se todos os dias fossem 04:19 daquela quarta-feira, quando você me mandou embora, “me disse pra ser feliz e passar bem” como na canção do Chico.

 

Just over

Sentada no chão frio. Estática. Anestesiada. Não grito, não esperneio, não imploro. Mal consigo responder. Não faço nenhum esforço para levantar, para segurar ou ao menos enxugar as lágrimas que escorrem compulsivamente enquanto releio mais uma vez aquelas duras palavras que você me enviou. Nunca imaginei que pudesse me dizer palavras tão frias e sem esperança. E nunca antes um homem havia me deixado assim. Não dessa maneira, como se fosse tão fácil virar as costas e seguir seu caminho. Enquanto eu fico aqui. Sozinha. Ainda sem saber o que fazer. Como uma coisa qualquer que se joga fora depois que cansou de usar.