Fazer amor…

Anais Nin. Mais uma noite: “E eu sempre venho em busca de forças e encontro fraqueza”. Anestesio até a mente por alguns segundos após ler estas palavras. Deslizo as mãos sobre os cabelos e puxo os fios com força. Como quem arranca até a raiz dos sentimentos . Me custa a entender que tanto potencial pra amar só resulte em solidão. Porque toda vez que arrisco a me entregar demais e acreditar só o que me sobra são restos. É que, justo eu, que teimo em respirar amor, ainda tenho receio de amar. Amar demais. Entregar demais. É que insisto em buscar o que é por demais profundo. Meu corpo necessita muito mais do que uma noite de sexo gostoso. Falo de sexo fácil, mas ir pra cama sem cumplicidade é como jogar meu corpo no lixo. Como queimar lentamente a cada milímetro. Como mergulhar fundo buscando o paraíso, mas sofrer hemorragia por arrebentar a cabeça nas pedras.  Meu “fazer amor” ainda é intenso demais para tanta superfície.

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Na madrugada…

Já é domingo. O único dia da semana no qual se torna impossível fugir do amor. Talvez por isso meu inconsciente ainda teime em passar as madrugadas em claro. Pro dia começar mais tarde e durar menos. Penso em alugar um carro ou ir direto comprar uma passagem de ida no primeiro guichê da rodoviária pra forjar uma partida assim que o sol nascer. Uma cena qualquer pra chamar tua atenção. Qualquer outro tentaria me impedir de ir embora e me imploraria pra ficar. Desisto da ideia porque pela primeira vez não quero ir embora se não puder ir contigo. Ainda que aqui nada me segure talvez lá seja pior. Abro outra garrafa de vinho. Tento recorrer ao antigo clichê dos boêmios e românticos: “love is a dog from hell”, já dizia aquele velho safado. Como se eu pudesse ser tão óbvia e previsível. Tua falta só fica mais evidente ainda que eu esteja decidida a não tentar mais.

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04:19

Outra madrugada. Deitada em posição fetal. Fecho os olhos mas o sono não vem. Meu único sonho é retornar ao útero. A saudade corrói como úlcera hemorrágica. Como um eterno regurgitar de sentimentos. Sinto tua falta como se tivesse me arrancado um órgão vital. Pareço bem, mas há falta em tudo que eu vivo. Todo ar não é o bastante para me fazer respirar. Toda multidão é solidão. Todos os homens do mundo ainda seriam insuficientes. Viver parece um pesadelo, como se todos os dias fossem 04:19 daquela quarta-feira, quando você me mandou embora, “me disse pra ser feliz e passar bem” como na canção do Chico.

 

Cacos

Madrugada e um certo desespero de não escrever mais. Livros espalhados, caneta no punho e caderno de rascunhos parecem não significar nada mais além de uma visão turva. Abro uma garrafa de vinho e forço o saca-rolhas como quem ainda detem um fio de esperança. Afinal, quem precisa de uma overdose de barbitúricos quando a angústia mata lenta e dolorosamente a alma de quem sente demais? A humanidade me sufoca. O mundo me engole. Do fast food aos amores instantâneos. Just in time. É só deletar, jogar fora e dar as costas. O tempo da delicadeza já se foi. Não tenho espaço. Não tenho socorro nem solução. Sou só. Inteira minha e ainda um pouco dele. Mulher aos pedaços. Cacos de amor dilacerado.