Faz de conta

Eu, que vivo por sentimentos da ordem do inefável apenas existo como estrangeira nesse mundo. Nesse mundo de ilusão. De fantasias e de faz de conta. Num mundo onde eles se dizem felizes mas tomam cada vez mais Rivotril.  Num mundo de olhos secos e corações encharcados. Num mundo onde se tem obrigação de parecer bem mas só vive mesmo tentando disfarçar as angústias da alma. Num mundo que condena sentimentos verdadeiros e onde qualquer intensidade é chamada loucura. Num mundo que diz venerar Deus mas põe a fé em questão ao menor sinal de obstáculo. Num mundo onde se diz amar, mas mal sabe o que é amor.